Livros interessantes, como sempre, estes que a polícia impedia de circular livremente (mas não de circular, como já vimos, pois toda uma rede constituída por editoras de “vão de escada”, de tipografias, de livreiros que vendiam “por baixo do balcão”, permitia que as edições se escoassem. Assinale-se mais um livro de José Vilhena – um sniper que percorre quase toda a ordem alfabética com os seus livros proibidos.
Mas entre estes dez livros, destacamos A Inquisição Portuguesa, de António José Saraiva, é um livro fundamental para compreender o fenómeno complexo da Inquisição – esta edição era a 3ª e foi publicada em 1965 numa colecção que a Europa-América decalcava (sob licença) da “Que sais-je?”, das Presses Universitaires – a colecção Saber. Não só os livros que falavam da actualidade eram objecto de censura – ao proibir um livro sobre a Inquisição o regime admitia implicitamente as analogias estabelecidas entre os seus métodos e os do Santo Ofício.


