Um Café na Internet
Este tempo que agora passa
qual água fluente de origens várias
tudo me informa
num código pessoal forjado afora.
Leio o código desde longes plagas
e cada estação percorrida
se recompõe em binários largos
em que fatigantes locomotivas correm.
Corro e estou parado
na velocidade do trem
desabusado de todos os sinais
e para a frente sempre avança.
Paisagens matizadas abraçam
o trem de incansável foga;
eu estou na corrida e
a um só tempo na matização alada.
Muitos são os verdes desses campos,
muitas as flores e os frutos amáveis;
quanto mais frutos e flores me recobrem,
mais avanço para paradas novas.
Forte me faço da corrida franca
procurando sempre o tempo inédito
que me está chegando
e que eu almejo prontamente em ato.
Tempo, binários, locomotivas
afora, enquanto eu me fixo
na contemplação veloz
de tudo quanto os meus olhos sabem.
Sou sempre eu a cada estação
passada, mas também sou
aquele novo que surge nas curvas
mais agudas da viagem em indo.
Quanto mais viajo, mais me curvo.
Viajo sempre e então sou também
pranto versado, mas composto sempre
pelo amor que encontro nas mulheres.
Com este amor retomo forças
e recomeço o viajar
que se faz vivo e
sem fim.


Belíssimo, Sílvio!