Mário Dionísio (1916-1993) licenciado em Filologia Românica em Lisboa, começou a ensinar no Bairro Alto. Na sua Autobiografia (Lisboa, 1987) conta-nos: …”só mais tarde sentiria a grande revelação. Ensinar de verdade (forma excelsa de comunicação), reaprender sempre a ensinar, ensinar a ensinar. Como um profissional. Indispensável. Mas também como uma dádiva feliz e inteira, exactamente igual à que exige o acto de criar seja o que for”. Professor efectivo do Liceu Camões, até ao final da década de 70, aceitou integrar o corpo docente da Faculdade de Letras de Universidade de Lisboa como “professor associado convidado”., lugar em que se jubila em 1986.
Entretanto, foi membro da Comissão Organizadora dos Pontos de Exame para o Ensino Oficial (1964), professor metodológico do 2º Grupo (1969.74) e presidente da Comissão de Estudo da Reforma Educativa (1974).
Continuemos na sua Autobiografia:
“Raras vezes ensinei com sacrifício. Não direi nunca. Mentiria. O normal era, contudo, fazê-lo com verdadeira entrega interior e algum êxito, parece.”….
“Terei de dizer uma vez mais, hei-de dizê-lo sempre, que nenhum partido de Esquerda percebeu (ou terá querido perceber), para além dos discursos, dos comícios, das entrevistas à Imprensa, não me interessa isso agora, que uma nação secularmente mergulhada na mais completa ignorância das suas próprias carências (que não só pão e casa, e mesmo para ter o pão e para ter casa), exigiam antes de tudo, sabem o quê ?, ensino. Ensino no sentido mais vasto e profundo da palavra(…) Em todas as idades. Em todos os recantos desta terá de milagres, crenças e crendices, de faz como vires fazer”.
A par da actividade docente, Mário Dionísio distinguiu-se, como escritor e ensaísta, tendo sido um dos autores de referência do movimento literário neo-realista.
Num texto que publicou em “Palestra”, abordou a questão da arte e do ensino: “ Quanto mais se esclarecem o mecanismo do fenómeno da criação estética e as condições do convívio da arte e do público e mais concretamente se conhecem a evolução da criança e do adolescente, mais se desvendam relações entre a arte e educação que não podemos menosprezar”.
A sua obra tem sido divulgada de forma exemplar pela Casa da Achada – Centro Mário Dionísio (www.centromariodionisio.org/casa_da_achada) que, para além disto, desempenha um papel importante na vida social portuguesa por toda a divulgação, debates e reflexão que nos obriga a fazer.
Retirado dos textos de “O Dicionário de Educadores Portugueses”, ASA, 2003.




Olá ClaraAlguma coisa falhou, não consigo ver o que presumo serem fotografias.A Eduarda Dionísio gostaria de saber, com toda a certeza, da divulgação deste texto no blogue.Abraço
Parabéns pela referência. Apenas uma gralha: “professor metodólogo” e não “professor metodológico”
Olá António! Mistérios dos computadores e respectivos programas… Em casa via as ilustrações que meti, aqui no trabalho já não aparecem! Era um retrato do Mário Dionísio feito pelo Abel Manta e uma turma de alunos. Penso que agora não há como emendar…Bejos,Clara
Obrigada pela correcção. Isto de queremos fazer muita coisa ao mesmo tempo…Abraço,Clara
Já agora, no título saíu Mário Dionásio em vez de Dionísio.