LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA- 39 – por José Brandão

 

Livros interessantíssimos, neste quadro de hoje. O “Libertino…”, do Luiz Pacheco, as “Lições:::” do Pitigrilli, o quase omnipresente José Vilhena… Livros apreendidos para proteger a moral os portugueses. Uma obra-prima – A Mãe, de Máximo Gorky, A Longa Viagem, obra autobiográfica em que Jorge Semprun relata como, ainda criança, passou por campos de concentração, após a derrota republicana na Guerra Civil de Espanha. Mas vamos falar de um romance – Luuanda, de Luandino Vieira. Em 1965, o júri da Sociedade Portuguesa de Escritores atribuiu o Grande Prémio da Novelística a um jovem escritor, então desconhecido. A obra era o livro de contos Luuanda, e José Luandino Vieira o seu autor. Na altura da atribuição do prémio, o autor estava no Tarrafal, a cumprir uma pena de 14 anos por «práticas terroristas».

Luuanda viria a ser publicado por Edições 70 em 1972 – a sua 2ª edição seria  apreendida e a Editora multada em 30 mil escudos, por despacho assinado pelo director-geral da Informação. A pedido do Editor testemunhariam neste processo Ferreira de Castro e Jorge de Sena, com este último a afirmar «o papel primordial no desenvolvimento da literatura angolana de expressão portuguesa».Obra ímpar pelo seu estilo – que inovava no uso do português falado em Angola, como afirmaria Augusto Abelaira (Presidente do Júri),– pela capacidade de criação literária, pela feitura de um universo novelístico, Luuanda foi, na altura, o texto que revelou um autor que se conta hoje entre os maiores da literatura de expressão portuguesa. A Sociedade Portuguesa de Escritores, presidida por Manuel da Fonseca, foi encerrada, vindo a dar lugar à Associação Portuguesa de Escritores.

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