Andando por aí (3) – por Margarida Ruivaco

 

É preciso respirar fundo e encher o peito de ar. E de coragem.

Olhando em volta, e nesta fase, vemos pinheiros e medronheiros, arbustos comuns, e um caminho de terra batida, troncos de madeira na vez de degraus. À direita. Poente.

 

Depois, é por os pés ao caminho, e subir, serpenteando o monte.

 

E à medida que o coração acelera no peito, também a cabeça acelera.

 

E se isto é mesmo um vulcão e decide entrar em erupção agora? O que tinha Rodrigo na cabeça, há 1300 anos, quando subiu ao monte e aqui decidiu viver?

 

Então, começa a escada, propriamente dita?

 

Quem fez isto não sabia que os degraus não estão regulamentares? Que corrimão é este? Como trouxeram os materiais até cá acima?Quem se lembrou de construir a ermida lá em cima?

 

Vão escasseando os pinheiros, e vai sobrando ar. Algumas aves de rapina. E eis que surge o mar!

 

Parando para respirar.

 

E é nesta altura que as perguntas perdem o sentido, e as respostas surgem naturalmente. É subir, é subir…300 degraus.

 

E lá em cima, não restam dúvidas. Rodrigo tinha razão.

 

Porque as relíquias de um santo merecem um lugar assim. Porque perto do céu, se vê mais claro.xxx Porque de um lado é verde, do outro mar, e, por cima, ar.

 

Porque daqui se viram os sarracenos e os cruzados. As reconquistas. A partida e chegada e barcos, desde sempre.

 

Porque daqui se avistam os mosteiros, os comboios, e as chaminés, e o Sítio.

 

Porque a 156m de altitude, no Monte” Saião” (Seano, Sião), o de São Brás e São Bartolomeu, pode ser o topo do mundo.

 

Pelo menos, a 3 de Fevereiro.

 

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