
Este quadro de Dorindo Carvalho inspirou o poema
GLOSA DOS LUGARES COMUNS – por Paulo Ferreira da Cunha
Queriam, vis,
À bela Medusa aprisionar
entre parêntesis.
Mas Medusa só entre parentes.
E mesmo assim,
olha lá…
Queriam petrificá-la pelo seu próprio olhar
Com um espelho por arma
Que o olhar medusão mata
porque congela.
Mas o espelho, ao vê-la,
Na sua verdade e nudez,
Ruboresceu.
E ao longe
Até uma bandeira pareceu.
A mão verde,
esperançosa e grácil
Imitando a da Criação
de Miguel Ângelo,
(Mas no feminino,
Maior Esperança ainda),
Em bandeira
o espelho sinistro volveu
Parecendo entoar hino…
Pois derrotado
por ter ousado
olhar nos olhos
A bela Medusa triunfante
Génio do Mal,
Pardacento Monostratus,
Afunda-se nas trevas
ribombante.
Viva a Medusa rósea
e a bandeira rubra
Viva a glauca mão.
Que a todos nós sua sombra cubra
(isto é – obviamente – uma invenção).
(inédito)


é na alta parede que te vejoe sempre me intrigou o que fazias nessa posiçãohomem escuro, homem deitado.a superioridade é delaque o provocou e dominou.