Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 47 – por Manuela Degerine

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 O verdadeiro Caminho de Santiago

 

Até aqui orientei-me pelo roteiro elaborado por um francês, Gérard Rousse, cujo itinerário atravessa a Serra de Aire na direção de Minde, Fátima, Rabaçal, Coimbra, pelo que muito grata lhe estou, porquanto atravessei a pé, ou seja, se me permitem a hipérbole, por dentro da paisagem, um magnífico pedaço de Portugal: experiência inesquecível. No percurso fui encontrando, mais do que menos, a sinalização amarela de Santiago, contudo a Credencial, comprada na Sé do Porto, não indica esta rota mas duas outras, a que parte de Lisboa (De onde? Por onde? Mistério não esclarecido…) e segue para Sintra, Caldas da Rainha, Batalha e Coimbra, para além da que, passando por Santarém, Golegã, Tomar e Alvaiázere, se vai juntar no Rabaçal com aquela que percorri. A Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago, interrogada por correio eletrónico, assegurou-me que o Caminho não passa por Fátima. Ora eu não só o segui mas achei-o até, por vezes, excessivamente marcado na paisagem.

 

Isto deixa-me agora otimista quanto à rota recomendada pela Associação, a qual, beneficiando desta espécie de DCC, Denominação de Caminho Certificado, estará escrupulosamente sinalizada e, não menos apreciável, concebida por caminhantes com mochila às costas, ao contrário dos peregrinos de Fátima, cujas bagagens vão nos carros de apoio. Um grande alívio; a perda da sinalização é o risco maior para o andarilho. E calcorrear beiras de estradas com camiões, tal como atravessar vias rápidas a pé, não é o meu desporto favorito.

 

Não deixo todavia de sorrir perante tal exclusão. O verdadeiro Caminho de Santiago, agora como em todos os tempos, não será o que conduz de onde moramos ao túmulo do apóstolo? Do meu modesto ponto de vista, pouco importam as variantes intermédias, contanto que sinalizadas e adaptadas à caminhada, por conseguinte não me incomoda que o Caminho de Santiago passe por Fátima pois, embora o santuário não existisse na Idade Média, existe agora, muitos peregrinos apreciarão passar por ali. Não pratico o Caminho de Santiago como atividade arqueológica: sou do século XXI e, até ao dia de hoje, nos caminhos e albergues, ainda não encontrei andarilhos do século XII.

 

O objetivo primeiro desta peregrinação é a descoberta da minha terra. Sinto-me portanto disposta, na medida das disponibilidades, que não são frequentes, a verificar a existência real ou virtual, não só das variantes DCC do Caminho de Santiago, mas até de outras, menos ortodoxas, mais moçárabes, entre as quais as algarvias, cuja existência é contestada pela sobredita associação. Saberá algum leitor dizer-me se os Caminhos que partem de Faro e de Lagos estão sinalizados? Agradeço que me envie a informação:

manuela.degerine@laposte.net

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