De Santarém à Golegã
Eis-me no dia 5 de Outubro de 2011, às seis e meia da manhã, esperando que abram a estação do Metro, um horário aliás muito tardio, que não permite apanhar o comboio das 6h e 56 na estação do Oriente. (Em Portugal os transportes públicos não são para os utentes – para quem serão?) Fico quase uma hora à espera do comboio, congratulando-me afinal por ser tão cedo, pois daqui a pouco já se grelhará neste assador. (A estação também não foi pensada para quem apanha comboios.)
Levo menos bagagens do que é costume, nem roteiro, nem camisola, nem polainas, nem impermeável, nem medicamentos, nem barras vitaminadas, consegui baixar aos quatro quilos e meio na mochila, um e meio nas outras bolsas entre diário, comida, telemóvel e máquina fotográfica. Um total de sete quilos. E não conto a água… A carga normal, tendo em conta o meu peso, seria quatro quilos e meio, logo o mínimo dos mínimos ainda é excessivo.
Projeto caminhar durante três dias: de Santarém a Alvaiázere. A primeira etapa é de trinta quilómetros, através do Ribatejo, com terreno plano e, pelo que me pareceu, estudando o mapa, ambiente sossegado. A grande dificuldade será o calor: hoje fará acima dos trinta e cinco graus, amanhã prevê-se uma baixa da temperatura com, ainda assim, trinta e dois… É loucura caminhar nestas condições mas, uma vez mais, se não for agora, não será este ano, arrisco portanto, aceitando a interrupção da caminhada, caso não possa suportar o calor.
(Continua)
