Que amor não me engana – José Afonso

 

 

José Afonso  Que amor não me engana

 

 

 

 

“SABES, ZECA” – minês castanheira

Sabes Zeca

O olhar com que sonhavas o mundo
Ainda não brilha

A voz que deixaste nas nossas vidas
Já não ecoa

Dói-me o choro de uma mãe
Que desespera pelo abraço do filho
Perdido pela droga

Dói-me o silêncio daquela mulher
Que se esconde do olhar de um marido
Que a maltrata

Sabes ZECA, devias voltar…

Hoje, em tudo se encontra
Pedaços de injustiça que magoam
Pedaços de vida que amargam
Quantas cantigas, gritaste?
Quantos pedidos, fizeste?

Poemas estilhaçados que se perderam

Volta ZECA
Volta com o cantar de um infinito
Que mexe, que incomoda…
Pois já não há pão
Não há emprego
Não há razão

O cântico é de lamúria
A voz já não tem espaço para cair
O grito da revolta afundou-se
Em mar de desespero arregaçado

As ribeiras ainda choram
Os rios não voltaram a passar
Os olhos não secaram
Mas contigo,
Voltamos a cantar…

(do blog Amigos Maiores que o Pensamento)

 

2 Comments

  1. Como gosto da tua escolha, Augusta.Como o amor, também o Zeca nunca nos enganou.Houvesse muitos mais como ele era e o mundo já seria outro, melhor.Outra escolha:UTOPIA Cidade Sem muros nem ameias Gente igual por dentro gente igual por fora Onde a folha da palma afaga a cantaria Cidade do homem Nao do lobo mas irmao Capital da alegria Braço que dormes nos braços do rio Toma o fruto da terra E teu a ti o deves lança o teu desafio Homem que olhas nos olhos que nao negas o sorriso a palavra forte e justa Homem para quem o nada disto custa Será que existe lá para os lados do oriente Este rio este rumo esta gaivota Que outro fumo deverei seguir na minha rota? (José Afonso)http://youtu.be/wGezZErd7E4

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