A Batalha é logo ali.
Se deixarmos o carro em qualquer um dos parques, em cinco minutos podemos atravessá-la a pé, e isso é uma das coisas que mais aprecio na vila.
Isso, e poder-se ver o céu, porque não há grandes edifícios a tapá-lo.
Se as casas fossem mais baratas, teria ido morar para lá. Mas também se pagam a calma e os sossego, as rotundas ajardinadas.
À segunda feira, há mercado, a praça, e as ruas enchem-se de cestas, carrinhos e bicicletas. Durante o resto da semana, reinará a calma. Se não for Maio, se não for Agosto. As lojas são as mesmas, desde que eu me lembro. Não todas, mas muitas. E na sapataria, na retrosaria, na farmácia, no supermercado, na papelaria atendem-me as mesmas caras que eu sempre conheci, desde que frequentava o infantário. A Batalha tem a festa das cerejas, da Trindade, e tens as festas em Agosto. Engalana-se a rigor, e enche-se de gente, nas tasquinhas e nos concertos. E quando se aproxima o natal, resplandece de luz.
Mas maior que tudo, e sempre à vista, a batalha tem o Mosteiro, e tem o “cavalo”.
E tem o patim: lajedo de pedra calcária enegrecida, onde os meninos aprendem a andar de bicicleta, que as noivas vão varrendo com a cauda dos seus vestidos, e que eu lavei com brocado de seda, em tarde de chuva.
E onde nós somos maiores, do tamanho do nosso amor.

