ANDANDO POR AÍ – 5 -por Margarida Ruivaco

 

 

 

A Batalha é logo ali.

 

Se deixarmos o carro em qualquer um dos parques, em cinco minutos podemos atravessá-la a pé, e isso é uma das coisas que mais aprecio na vila.

 

Isso, e poder-se ver o céu, porque não há grandes edifícios a tapá-lo.

 

Se as casas fossem mais baratas, teria ido morar para lá. Mas também se pagam a calma e os sossego, as rotundas ajardinadas.

 

À segunda feira, há mercado, a praça, e as ruas enchem-se de cestas, carrinhos e bicicletas. Durante o resto da semana, reinará a calma. Se não for Maio, se não for Agosto. As lojas são as mesmas, desde que eu me lembro. Não todas, mas muitas. E na sapataria, na retrosaria, na farmácia, no supermercado, na papelaria atendem-me as mesmas caras que eu sempre conheci, desde que frequentava o infantário. A Batalha tem a festa das cerejas, da Trindade, e tens as festas em Agosto. Engalana-se a rigor, e enche-se de gente, nas tasquinhas e nos concertos. E quando se aproxima o natal, resplandece de luz.

 

Mas maior que tudo, e sempre à vista, a batalha tem o Mosteiro, e tem o “cavalo”.

 

E tem o patim: lajedo de pedra calcária enegrecida, onde os meninos aprendem a andar de bicicleta, que as noivas vão varrendo com a cauda dos seus vestidos, e que eu lavei com brocado de seda, em tarde de chuva.

 

E onde nós somos maiores, do tamanho do nosso amor.

 

 

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