Israel – Vida difícil – 2 – por Carlos Loures

(Conclusão)

Com a morte de Eshkol, sucede-lhe no cargo Golda Meir, que foi a quarta primeira-ministra de Israel.

 

Tendo sido ministra dos Negócios Estrangeiros de Eshkol. Golda Meir formou um executivo de coligação, convidando inclusivamente partidos de direita a participar. Durante o seu governo, destacou-se pela negativa o ano de1972, um ano negro: um comando palestiniano sequestrou um avião da Sabena; o Exército Vermelho Japonês (grupo de inspiração marxista) massacrou 25 israelitas no aeroporto de Tóquio e militantes da Fatah assassinaram 11 atletas israelitas durante os Jogos Olímpicos de Munique.

 

Golda Meir ordenou à Mossad que empreendesse a “Operação Cólera Divina” que eliminou quase todos os responsáveis pelo massacre de Munique. Chamavam-lhe Idishe Mame (a mãe judia). Costumava realizar reuniões políticas enquanto cozinhava no seu pequeno apartamento. Porém, sectores mais à esquerda acusavam-na de não se empenhar na tentativa de fazer a paz com os árabes. Não conseguindo a paz, os israelitas foram surpreendidos pela guerra. A invasão de Israel, em 6 de Outubro de 1973, pelos exércitos sírio-egípcios em pleno dia de Yom Kippur evidenciou negligência do Governo.

 

Meses antes do ataque, Golda recebera a visita de Hussein da Jordânia, que a preveniu sobre as intenções de egípcios e sírios. Golda, entretanto, desprezou a informação. A guerra foi desastrosa para Israel nos primeiros dias. Depois, as forças armadas israelitas repeliram a invasão e contra-atacaram, chegando até aos arredores do Cairo e de Damasco. No dia 26 de Outubro, vinte dias após a invasão a vitória israelita era categórica.

 

Mas a impopularidade gerada pela guerra que colheu de surpresa o país, levou-a a demitir-se, pouco depois de sua reeleição. Foi substituída por Yitzhak Rabin que fora seu ministro do Trabalho. Governou Israel entre 1974 e 1977. Durante sua administração foram firmados acordos de separação de forças com o Egipto e teve início, em 1975, a construção de infra-estruturas para a colonização da Cisjordânia.

 

Em Julho de 1976 uma brigada do grupo radical alemão Baader-Meinhof, sequestrou um avião da Air France, num voo de Telavive para Paris com escala em Atenas. O avião foi desviado até Entebe, no Uganda. O grupo terrorista exigia a libertação de 53 presos políticos encarcerados em cadeias de vários países. Os reféns não-judeus foram libertados. Rabin convocou a Mossad para que planificasse uma operação de resgate. O Uganda, do ditador Idi Amin Dada, era um país hostil a Israel. Em 1972 Amin Dada expulsara todos os judeus. A operação secreta foi levada a cabo. em 3 de Julho: homens da Brigada Golani desembarcam em Entebe, invadiram a aeronave e executaram os terroristas.

 

Soldados ugandeses abriram fogo sobre os homens da Brigada Golani, o que provocou a resposta israelita. Onze jactos da aviação ugandesa foram destruídos durante a operação, que durou somente 90 minutos. O sucesso do resgate deu a Rabin grande popularidade, não só no país, como até mesmo internacionalmente.

 

Ainda durante 1976 uma profunda crise económica gerou inflação e insatisfação. Surgiram algumas denúncias de corrupção, levando o ministro das Obras Públicas Abraham Ófer a suicidar-se. No Knesset (parlamento) foi aprovada uma moção de desconfiança. Em 1977, a descoberta de uma conta secreta em nome de Leah, esposa do primeiro-ministro provocou a queda do Governo e subida ao poder de Menachem Beguin.

 

Vê-se por aqui, pela pouco mais do que sumarização dos primeiros trinta anos de vida, que a criação do Estado de Israel não foi coisa fácil. Foi feita sob a inspiração da Torah, mas implicou sacrifícios, lutas, heroísmos, canalhices… Foi tudo menos fácil.

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