Desde que me lembro que vivo rodeada por livros para crianças. A lê-los e a vê-los fazer pois minha mãe escreveu alguns e Maria Keil os ilustrou.
Já mais velha assistia às reflexões sobre editoras, tipografias, preços, distribuidoras, percentagens do preço final que cada um arrecadava…E conheci outros escritores (pensando bem eram todas escritoras – Matilde RosaAraújo, Alice Gomes, Madalena Gomes…).
Dos livros infantis passei para a leitura de tudo o que havia lá em casa – apropriada para a idade ou não – sobretudo nas férias, passadas em local sem convívio de pares (livros umas vezes lidos às escondidas, intuindo logo no começo que me não deixariam ler, como foi o caso de “A leste do paraíso” do Steinbeck, livro muito gordo e difícil de esconder debaixo dos livros de estudo…
Mas voltemos aos livros infantis. Mais tarde, devido à profissão, vim a perceber a sua importância do desenvolvimento infantil, na integração na cultura, na aquisição de conhecimentos, a boa “ferramenta” que podem ser em terapia. E o proporcionar às crianças imaginar histórias como pode ser um recurso utilíssimo.
Apesar do aparecimento de novas formas de as crianças se entreterem (televisão, jogos electrónicos…) os livros continuam a fazer parte da vida das crianças. Felizmente.
A leitura de livros pelos adultos de referência na vida das crianças, nas várias situações do seu dia a dia (mas sobretudo ao deitar, proporcionando a passagem para um momento mais calmo em que têm que cortar com a agitação para adormecerem) dá origem a momentos especiais de relação, cuja vantagem ultrapassa muito o conteúdo do próprio livro.
Já quando a criança é autónoma, a leitura tem implícita uma capacidade de estar só consigo próprio, de continuidade na narrativa interrompida pelos afazeres, de imaginar os cenários em que a acção se passa. A criança identifica-se com os seus heróis, projecta nos maus os seus sentimentos ambivalentes em relação às pessoas com quem está zangada e ama por “procuração”. Enfim, prepara-se para a sua vida futura.
Agradeçamos a todos os escritores de literatura infantil. E aos ilustradores, é claro!



