Devido ao avanço do dia e a uma maior proximidade do destino, a cidade capital da Lunda, aproveitando a hospitalidade oferecida, jantou-se e dormiu-se em Xá-Cassau.
No dia seguinte estava a tratar-se dos abastecimentos, que nos tinham levado aquela cidade e dado que não se conseguiu resolver tudo no mesmo dia, acabou por se pernoitar num destacamento da Intendência Militar local, equipamento ideado para abastecer toda a tropa estacionada na região.
Veio o dia vinte e quatro do mês de Agosto, às catorze horas, já com todos os abastecimentos possíveis deu-se o regresso.
Faltavam as cervejas “cuca” destinados às cantinas, porque poucas caixas se adquiriram, em virtude de na véspera ter ali passado um Batalhão, com o tempo completo, rumo a Luanda, com destino ao barco que os levaria de volta ao “puto” – metrópole, na versão local, adoptada por toda a tropa, por ser gira e abreviada.
Além de ser o primeiro de passar naquela povoação, de regresso à metrópole, a euforia era tal, que cerca de seiscentos militares, detentores de quantias de avultadas somas de dinheiro jamais detidas por muitos, numa cidade pequena, era lógico o esgotamento de produtos aprazíveis e de consumo imediato, existentes em qualquer cantina da tropa.
Às dezasseis horas, nova avaria na GMC.
A vinte e cinco, com a pesada viatura a reboque, de uma outra, fazendo parte das duas que, de Henrique de Carvalho, haviam chegado entretanto, em socorro, chegou-se ao rio já referenciado que, ficava sensivelmente a meio caminho do Dundo, onde com receita igual às anteriores descritas, se procedeu ao ritual da refeição do meio-dia.
Pelas oito da tarde, a GMC mesmo a reboque, teve outro acidente, contou apenas de uma mola partida e mais um pequeno atraso.
Às nove horas, chegou-se enfim, ao aquartelamento de Artilharia, perto do Dundo, deixando na origem um dos cabos que integrava a expedição. Ali se processou o que seria o último jantar do grupo.
Num Domingo, quinze de Março de 1964 às cinco da manhã, a CCav 297 eventual 350, partiu finalmente da Portugália, rumo ao Campo Militar do Grafanil, às portas de Luanda. A viagem foi feita em camionetas civis de caixa aberta.
Seguiu-se a estrada, uma recta sem qualquer asfalto, ladeada de bambus, até ao destacamento militar do Camissombo, onde se encontrava estacionado um Batalhão. Chegou-se sem qualquer incidente, logo às sete da manhã, com a habitual paragem, a fim do respectivo comandante receber o testemunho do responsável da tropa que ali passava.
Cumprida a praxe, com pequenas avarias mecânicas, atingiu-se Henrique de Carvalho às seis da tarde do mesmo dia, onde se pernoitou, com exposição ao luar, dentro do grande complexo militar, com os mais variados serviços respeitantes ao Sector ali existente.
No dia seguinte, pelas quatro da madrugada, debaixo de chuva intensa, estava o comboio militar, de novo, na rota da viagem, que o havia de conduzir ao Grafanil.
Conseguiu-se alcançar a povoação de Cocolo, onde se procedeu ao almoço, que em trânsito consistia na usual ração de reserva.
Ainda exposto à intempérie, o numeroso grupo retomou caminho, para uma etapa atribulada, com o atascar de várias viaturas, acabando por pernoitar naquele caminho, sempre de terá areenta e batida, perdida algures, ainda em pleno distrito da Lunda.
____
A dezasseis, sempre debaixo de chuva, conseguiu-se a libertação da lama e de novo se deu o seguimento da viagem. Ainda a dezoito de Março, estando-se no ano de 1964, passou-se por Nova Gaia, além de várias povoações. Era já noite estava-se a entrar os portões do aquartelamento de Malange, já em novo Distrito de Angola, com sede naquela cidade, onde se fez a refeição, recorrendo á famigerada ração de reserva.
Depois da passagem por Dondo e Catete, povoações já conhecidas, finalmente a vinte, já entrada a noite, chegou-se ao Grafanil.
