Os dados ontem disponibilizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), vêm confirmar que as medidas de austeridade assumidas pelos governos da UE não estão a contribuir para inverter a tendência de recessão económica. Em quase toda a Europa a situação piora de relatório para relatório.
Estes dados referentes a Fevereiro, revelam que em Portugal a taxa de desemprego voltou a subir atingindo os 15% e colocando-nos em segundo lugar nesse indesejável ranking dos países com maior percentagem de desempregados. Mais desemprego do que Portugal, só em Espanha, onde atinge os 23,6%. Espanha, no entanto, possui uma forte economia paralela com tradições de prosperidade – grande parte dos desempregados vive mais desafogadamente do que alguns trabalhadores com emprego. Isso também sucede entre nós, mas numa escala relativamente reduzida.
Num artigo de James Petras, que ontem publicámos (2012, o ano do Juízo Final), o conhecido sociólogo norte-americano faz previsões de uma catástrofe social mais profunda do que aquela que resultou da recessão de 1929; previsões que hesitamos em classificar de catastrofistas, pois tememos que, com um ou outro toque tremendista, se venha, no essencial, a concretizar. Diz em certo passo que a política de austeridade imposta do Reino Unido à Letónia e à Europa do Sul se consolidará em 2012. Despedimentos em massa no sector público e no sector privado conduzirão a um ano de lutas sociais e de contínuos desafios aos governos.
As “políticas de austeridade” no Sul, terão repercussões no Norte – falências de bancos em França e na Alemanha. A oposição sindical emitirá protestos e promoverá manifestações sem obter resultados. Prevê que a austeridade venha a redundar em repressão e em confrontações sangrentas com os trabalhadores e jovens desempregados sem futuro.
E, para piorar tudo, segundo ele, os Estados Unidos desencadearão uma nova guerra no Próximo Oriente, invadindo o Irão, como Israel pretende. Um conflito alargado, deixará o mundo numa situação caótica. E nós sabemos como as situações caóticas criam um caldo favorável à germinação de marginalidade, da corrupção e da consequente repressão. Dos marginais? Não dos que protestarem contra a marginalidade, a miséria, contra o desemprego…
Mas embora os governos possam reforçar a autoridade e transformar-se em estados policiais, continuaremos a viver em »democracia».


Temo que a democracia, mesmo formal e meramente política, resista a um tal cenário… Já há sinais preocupantes pela Europa.Mas vejo pouca gente preocupada com isso.
Também me parece isso.