POEMAS SOBRE O ALENTEJO – Manuel Simões

POEMAS SOBRE O ALENTEJO

 

 

 

 

Manuel Simões

 

 

Ceifeira, não dobres tanto a cintura

 

 

Ceifeira,
cantar agreste
na flor do vento,
trigo e suor
amargurado
no esquecimento.

 

Ceifeira,
de sol a sol
teu canto trespassa
o trigo.

Com lâmina
fere a espiga,
põe-na revolta,
explosiva.

 

Ceifeira,
ó que amargura
te vai no corpo
agravado.

Sempre a dar
o corpo à terra
e teu sangue
amotinado.

Quem trabalha
a terra alheia
não pode usar
a ternura.

(in Crónica Breve, Tomar, 1970)

 

Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia

 

Amanhã: José Gomes Ferreira

 

 

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