O mar continua muito agitado. A Argos continua a sua navegação para a Cólquida, à procura do Velo de Ouro, graças à bravura dos argonautas, que enfrentam ventos, marés, tempestades. É verdade que o mundo à nossa volta está cada vez mais ameaçador. Os céus muito carregados (tanto os atmosféricos como os do Olimpo.) Interrogam-se os argonautas, os viajantes, os portugueses sobre o que nos reserva o amanhã.
Mesmo sem querer, somos levados a tecer cenários pouco favoráveis. Para ajudar a vencer, ou pelo menos a compreender, a maré negativa que nos parece querer subjugar (e acabar com as nossas últimas zonas de conforto, para usar uma expressão muito repisada) talvez ajude examinarmos algumas notícias interessantes que chegam lá de fora.
A primeira é que na Grécia (que é má aluna, enquanto nós somos bons alunos, o problema é que quem fez a comparação não explicou claramente a que se referia) foi detido um ex-ministro da defesa que há cerca de doze anos esteve envolvido numa compra de submarinos aos alemães, precisamente á firma Ferrostaal, a mesma que há dois anos vendeu dois submarinos a Portugal. Parece que há suspeitas de corrupção. Tendo os submarinos custado parece que perto de mil milhões de euros, e sendo óbvio que Portugal não precisa deles para nada, talvez seja chegada a altura de o bom aluno pedir explicações ao mau aluno. É verdade que a deputada Teresa Caeiro, na televisão, veio justificar a compra dos submarinos por Portugal com uma lista do número de submarinos detidos por outros países europeus. Um deles era a Grécia, que, segundo a senhora deputada, tinha na altura 13 submarinos. Talvez agora também ache que se deva investigar algum ex-ministro da Defesa. Será?
Outra notícia é sobre a utilização das redes sociais por entidades empregadoras para obterem elementos sobre os seus funcionários, ou sobre candidatos a admitir. Nos EUA, que se procuram apresentar como defensores da liberdade, dos direitos humanos, etc. parece ser frequente a exigência aos trabalhadores das palavras de acesso ao facebook e outras redes. Contudo, no Estado de Maryland está-se a querer implementar legislação que proíba esta imposição. Parece que por cá, no nosso jardim (Diário de Bordo não se está a referir ao Alberto João, como entendem com certeza) à beira-mar plantado também já cá temos este problema em larga escala, pelo que não seria mau irmos também acompanhando o Estado de Maryland. A ver se aprendemos alguma coisa. Não é só o que quer a Angela Merkel.
E já agora sabiam que o Sarkozy, em plena campanha eleitoral, resolveu pôr-se a dizer ao mexilhão (Diário de Bordo não se lembra de como se diz em francês, ah sim, é moule) que tinha visitado Fukushima logo á seguir à explosão no reactor nuclear? Parece que, na realidade, estava no Japão na altura, mas não terá saído de Tóquio. Enfim, quanto a esta temos cá na nossa terrinha bastantes figurões capazes de fazerem o mesmo, parecido ou pior. Talvez não tenhamos grande coisa a aprender.
