HOMOSSEXUALIDADE E PEDOFILIA – 2 – por Raúl Iturra

 

A pedofilia é outro assunto, que tenho largamente analisado e sobre o que tenho escrito muitos textos. A penetração de uma criança por um adulto, causa dor no mais novo, que não tem ainda a sua libido definida, apesar de ser uma criatura libidinal desde o ventre materno, como provam Sigmund Freud Mélanie Klein, Wilfred Bion e Boris Cyrulnick[2] e eu no meu livro Yo, María del Totoral, escrito em conjunto com a minha irmã Blanca Iturra de Toro[3]. Tenho tido que tratar e curar seres humanos abusados na sua infância, que, ao crescer, sofrem depressões passíveis de curar apenas com psicanálise ou internamento em instituições especiais. Na vida quotidiana, são pessoas de curta paciência, de alta agressividade e sem sítio fixo para viver. Muitos deles, pelo que hoje sabemos, passam a ser, já púberes, prostitutos masculinos ou adictos à droga, para esquecer.

 

Os adultos que impingem aos mais novos, são seres humanos, ou também abusado antes, ou sem sentimentos como consta nas fontes dos três cientistas citados, e nos meus próprios textos e pesquisa analítica. É um crime que não tem perdão: leça a inteligência, os sentimentos e, evidentemente, o corpo. Faz deles adultos com medo a amar, nunca mais amam e não permitem serem amados. Acabam por viver sós ou em instituições de acolhimento, nas que o carinho existe por parte dos adultos que gerem a instituição, mas com distância, para que um namoro impossível não venha a acontecer. Os sentimentos paranoides são os mais comuns entre estas pessoas, que procuram o mal dos outros o se sente perseguidos por eles. O álcool e as drogas, fazem parte da síndrome de violação na infância. Facto que, no meu ver, deve ser punido fortemente pela lei e merece pena de prisão perpétua…

 

Da pedofilia Freud falou no seu texto de 1915, As pulsões e as suas vicissitudes porque a criança era – lhe importante, como base do seu descontentamento, mais tarde, como adulto. Em As pulsões e suas vicissitudes (1915), Freud define pulsão como um conceito entre o mental e o psicológico, o representante psíquico dos estímulos originados no organismo e que chegam à mente. Ele sempre se preocupou pois com o estágio dos conhecimentos psicológicos a respeito das pulsões. Estas são portanto forças incontroláveis que determinam as representações inconscientes. As actividades pulsionais que anseiam pela exteriorização objectiva, são na maior parte do tempo, deslocadas e explicadas, em nome de uma teoria pronta, verdade inscrita e supostamente inquestionável sobre a natureza humana.

A personalidade do indivíduo está intimamente relacionada à sua sexualidade. Para Freud, todos os impulsos e actividades prazenteiras são sexuais. Freud foi o primeiro a descrever o impacto das experiências da infância sobre o carácter do adulto, reconhecendo a actividade e a aprendizagem sexual das crianças. A maior causa dos conflitos conjugais está na relação sexual e na sexualidade, confirmando as teorias de Freud sobre a origem das neuroses. Para Freud, e cito: A pulsão [ = Trieb ] é um processo energético que, originado no soma pelo conjunto de alterações físico-químicas postas em acção pela presença de uma necessidade, penetra no aparelho psíquico com o objectivo primordial de patrocinar uma acção capaz de satisfazer essa necessidade, pondo fim àquele processo até que essa ou outra necessidade novamente se instale .
O mencionado conjunto de alterações físico-químicas denomina-se fonte da pulsão [= Triebquelle ] e à acção capaz de satisfazer a necessidade de ação específica [ = spezifische Aktion ].

 

Moção pulsional: pressão, meta e objecto

 

Quando a energia pulsional penetra o aparelho psíquico, gera nele uma inclinação a produzir trabalho a qual merece o nome de moção pulsional [ = Triebregung ]. Essa moção pulsional apresenta uma pressão [ = Drang ], que corresponde à intensidade de tal inclinação; uma meta [ = Ziel ], que é o tipo de acção a ser executado e um objecto [ = Objekt ], seja, o ente que é complemento directo dessa acção. Freud faz questão de acentuar que, posto ser impossível para o aparelho psíquico separar-se do soma, a pressão exercida sobre aquele pela moção pulsional não pode ser eliminada mediante a fuga, mas somente por meio da acção específica. É fundamental acrescentar que o principal indicador da gradual transformação filogenética de instinto em pulsão é a maior liberdade dessa última no sentido de variar suas metas e seus objectos.

Frente a essas definições, fica sem fundamento a afirmação do Vocabulário, de que, no entender freudiano, a moção pulsional situa-se… ao mesmo nível da pulsão. Tal proposta só pode ter origem em trechos da obra como o que em seguida transcrevo (na versão da ESB), em que Freud, com seu estilo tantas vezes relaxado, emprega a palavra ‘pulsão’ ( =Trieb) onde toda a lógica de seu pensamento exigiria que tivesse empregado ‘moção pulsional’ ( = Triebregung) :

 

Se agora nos dedicarmos a considerar a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo. (Os Instintos e suas Vicissitudes. ESB, vol. XIV, pág. 142)

 

O leitor tem a palavra. Há muito para pensar sobre a libido e o seu direito à liberdade. O matrimónio homossexual é um imperativo pulsional que, se não acontecer, acaba por danificar as pessoas e ao corpo social: os que mentem sobre as emoções, os que são perseguidos por causa delas. Que o Primeiro-ministro fale ….

 

 

 


[1] Magnus Hirschfeld (Kolberg, a actual Kołobrzeg, 14 de Maio de 1868Nice, 14 de Maio de 1935) foi um famoso médico e sexólogo alemão, pioneiro na defesa dos direitos dos homossexuais.

 

[2] O etólogo Boris Cyrulnik, é o menos conhecido dos cientistas que estudam a sexualidade. Tenho escrito vários ensaios sobre o médico, mas parece-me importante refrescar a memória: Boris Cyrulnik (Burdeos, 26 de julio de 1937), é um neurólogo, psiquiatra, psicanalista e etólogo francês. Transferiu o conceito resiliência da física para a etologia ou Resiliência. É um termo originário da física, utilizado por ela, e se refere à capacidade de armazenar energias, capacidade esta que pode ser identificada quando um corpo entra em estado de deformação e a ele são devolvidas essas energias, fazendo com que a tensão até então existente, cesse. Também é relacionado com o limite de resistência, e isso é demonstrado pela mesma física através da eletricidade

Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/psychology/1808798-aprenda-mentorear-arte-da-resili%C3%AAncia/#ixzz1dIcGiqIi

 

 

[3] Raúl Iturra y Blanca Iturra 2007; Yo, María del Tototoral, editado pela Universidad Autónoma de Chile, sede de Talca.

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