Rimos quando estamos felizes, rimos de coisas engraçadas, rimos quando vemos outros em situações ridículas, rimos para disfarçar a tristeza… Rimos dos outros, rimos de nós próprios. O riso é mais espontâneo e não implica muito as nossas capacidades mais elaboradas.
Mas também fazemos humor. E aqui tem que entrar a inteligência.
No entanto, será melhor não esconder a tristeza e sim reconhecê-la e até chorar, se for isso que apeteça. Camuflar, empurra-la para o fundo e não pensar nas coisas que nos fazem sentir tristes é só avolumar o problema que, mais tarde irá reaparecer. À morte de um entre querido tem que se seguir um respectivo luto psicológico. A separações não desejadas, tem que se seguir um período de recomposição… Encontrar motivos para sorrir e rir pode ser uma boa contribuição.
Na instituição onde trabalho – Casa da Praia – o seu fundador, João dos Santos, por considerar que as crianças que a frequentam, com problemas nas aprendizagens, têm na sua base uma depressão, preconizou que fosse uma “casa em festa”. Assim, assinalamos o ciclo na natureza (outono com o S. Martinho, o inverno com o Natal, o carnaval e a primavera), assim como os aniversários. Todos podem contribuir com a sua criatividade.
Quando nas suas histórias que as crianças escolhem para representar, aparecem as temáticas de base de abandono (as prendas do Pai Natal que desaparecem, a menina perdida…), o que interessa é a “reparação” que conseguem encontrar para o finalizar da história. Mas também, depois de algum tempo de intervenção, são capazes de fazer textos como o que publiquei no dia 10 de Abril Com o título “Zé Chulé e Bafo de Onça”.
Por vezes são os adultos da casa (técnicos e estagiários) que concebem um “espectáculo” para lhes “oferecerem”.
Já assim apareceu a “cabra cabrês, alguns contos de Grimm disfarçados. Este ano, os nossos seis estagiários fizeram uma excelente sessão à volta do tema do circo, da salvação de animais e amizade. O domador de animas (de peluche…) a gritar-lhes “Salta!” ainda hoje faz com que as crianças, ao passarem pelo “actor” gritem o mesmo, muito divertidas. É que, se formos coerentes, podemos ser professores ou psicólogos numa determinada posição e companheiros de brincadeira noutra. E as crianças percebem isso muito bem. Não foi por termos estado “na pele” de um personagem que passaram a respeitar-nos menos. Pelo contrário, constrói-se uma cumplicidade especial que pode servir para desmontar situações de crise, através do recurso ao “non sense” e ao humor.



