agenda cultural de 23 a 29 de Abril de 2012

 

 

 

 

por Rui Oliveira

 

 

 

Caro leitor : Podendo esta semana ser chamada de forma exacta “Do Dia do Livro aos Dias da Música”, o facto é que este último evento (e ainda o Festival Indie) desequilibra claramente os sete dias, esvaziando o primeiro em favor dos últimos. Senão vejamos :

 

 

 

 

   Na Segunda-feira 23 de Abril, vésperas do aniversário do “dia da libertação”, sugerimos como adequado participar nos Encontros Imaginários que o encenador e dramaturgo Hélder Costa quinzenalmente prepara no espaço de A Barraca no Cinearte (a Santos) e que o próprio apresenta da seguinte forma :

 

   “No ambiente festivo e preocupado do 25 de Abril de 2012 decidimos fazer um ENCONTRO com os mais célebres irmãos inimigos da Nossa História: O constitucionalista e liberal D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal (a propósito, Américo Tomás informou a sua mulher D. Gertrudes que essa diferença entre 1º e 4º tinha a ver com os fusos horários), D. Miguel , o absolutista e aluno fiel do Império Austro-Húngaro, e Bocage o vate Sadino, provocador, iconoclasta e iluminista pré – Revolução Francesa.

    Porque a nossa História (e o Mundo) sempre viveu, vive e viverá neste conflito entre os que sonham, lutam e avançam, e os nababos enriquecendo com a ignorância e  a miséria.

    É a nossa homenagem ao 25 de Abril”.

   Interpretam as figuras históricas : Bocage – Ruben Garcia , D.Pedro IV – Adérito Lopes e

D. Miguel – Sérgio Moras.

 

 

 

 

   Na Terça-feira 24 de Abril, as Músicas do Mundo da Fundação Calouste Gulbenkian trazem ao seu Grande Auditório, às 21h, o fado de tradição lisboeta mas também o cante alentejano de António Zambujo que fará acompanhar a sua guitarra clássica da guitarra portuguesa de Ângelo Freire, dos cavaquinhos de Jon Luz, dos clarinetes de José Miguel Conde e do contrabaixo de Ricardo Cruz (que assegura também a direcção musical).

   O cantor de Beja, a quem Caetano Veloso com os seus elogios “abriu” o público do Brasil, e que tem (como confessou) em Chet Baker e João Gilberto inspiradores para o cariz jazz/bossa nova do seu fado, irá certamente divulgar, entre outros, os temas do seu último CD “Quinto” de que reproduzimos um já célebre Flagrante :

 

 

 

   As perspectivas de afluência são tais que a Fundação Gulbenkian desdobrou o concerto criando nova sessão na Quarta 25, também às 21h e também já esgotada.

 

 

 

 

   Na Quarta-feira 25 de Abril, a par das celebrações do dia, é possível assistir à estreia na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, da peça de Jean-Claude Carrière (em tradução de Carlos Paulo) A Controvérsia de Valladolid, na versão cénica e encenação de João Mota, com cenografia de António Casimiro, numa co-produção do SLTM com a Comuna que assim assinala o seu 40º aniversário.

   Interpretam-na Alexandre Lopes, Álvaro Correia, Carlos Paniágua, Carlos Paulo, Carlos Vieira D’Almeida, Mia Farr, Miguel Sermão, Pessoa Júnior, Virgílio Castelo e as crianças João Marcos e Ruben Carvalho.

   O tema é um debate, um diálogo histórico entre Frei Bartolomeu de las Casas e o filósofo Sepúlveda. Em discussão, o direito de decidir, não apenas da vida dos povos conquistados, mas da sua pertença à humanidade. Uma imagem a recordar-nos a tragédia recente da tão opaca guerra colonial portuguesa, mas também a permitir-nos uma analogia com as formas contemporâneas de exclusão que, por detrás da sua aparência económica, colocam em questão a dignidade da existência. Em suma, um texto fundamental sobre os abismos que se abrem entre nós e o outro.

   Não havendo ainda (como é lógico) registo desta encenação, oferecemo-vos a abertura assaz esclarecedora do filme La Controverse de Valladolid 1992 de Jean-Daniel Verhaeghe com Jean-Pierre Marielle (Frei Bartolomeu de las Casas), Jean-Louis Trintignan (Mestre Juan Gines Sepúlveda), Jean Carmet (Cardeal Salvatore Roncieri, legado papal), Jean-Michel Dupuis (Cristovão Colombo) :

 

 

 

 

 

 

 

   Na Quinta-feira 26 de Abril, abre o “INDIE Lisboa’12” – 9º Festival Internacional de Cinema Independente (que se prolongará até 6 de Maio na Culturgest e nos cinemas São Jorge e Londres) com uma cerimónia de abertura (por convite) no Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira) às 21h30 com o filme Dark Horse  EUA, 2011 de Todd Solondz, uma das expectativas do Festival.  (ver programação em  http://indielisboa.com/uploads/files/support_43.pdf )

   Ao mesmo tempo é exibido na Culturgest às 21h30 outra das expectativas, Into the Abyss  Alemanha/Reino Unido, 2011 de Werner Herzog na secção Observatório, enquanto têm início as secções Competição Internacional Curtas, Director’s Cut Curtas e Pulsar do Mundo Curtas.

   De Dark Horse, uma comédia dramática com Christopher Walken, Donna Murphy, Jordan Gelber, Justin Bartha, Mia Farrow, Selma Blair onde “o romance brota entre um ávido coleccionador de brinquedos antigos e uma mulher que é o «dark horse» (a revelação inesperada) da sua família” mostramos o único e curto clip disponível :

 

 

 

 

 

 

   Na Sexta-feira 27 de Abril, começam no Centro Cultural de Belém os Dias da Música em Belém que, neste ano de 2012, decorrerão sobre o tema  A Voz Humana O Canto através dos Tempos” como diz o programa “ da Idade Média à música contemporânea, do madrigal renascentista e barroco às grandes massas corais sinfónicas do Romantismo, do intimismo do Lied à elegância da mélodie francesa, passando por géneros de origem popular, como o blues e o fado”.

   Neste primeiro dia apenas haverá no Grande Auditório, às 21h, o Concerto de Abertura onde será apresentada a ópera de Henry Purcell  Dido e Eneias em versão concerto, tocada pelos King’s Consort dirigidos por Robert King.

   Porque o tema é a voz, no entanto, mostramo-vos o início da própria ópera Dido e Eneias (com Sarah Connolly como Dido e Lucas Meachum como Eneias) na nova produção da Royal Opera House (Londres) para celebrar o 350º aniversário do nascimento de Purcell com a “Orchestra of the Age of Enlightenment” dirigida por Christopher Hogwood :

 

 

 

   E para antever a execução instrumental dos “King’s Consort”, eis um excerto da suite de Purcell “The Old Bachelor” dirigida por Robert em Fevereiro de 2012 no Wilton’s Music Hall (Londres) :

 

 

 

 

 

   No Sábado 28 de Abril, os Dias da Música em Belém continuam a dominar a oferta cultural (a par do INDIE Lisboa’12) e neles poderemos ouvir desde o primeiro concerto da tarde às 14h (B1) o Coro Sinfónico Lisboa Cantat e a Orquestra Sinfónica Metropolitana com temas de Raquel Camarinha, Valérie Bonnard, João Rodrigues e Job Tomé até ao último da noite às 24h (B6) onde The Swingle Singers  entoarão canções de Lennon/McCartney, Chick Corea, Elbow, Beyoncé, Piazolla e outros.

   Para alguém se aperceber da variedade das propostas oferecidas, é possível consultar uma playlist elaborada pelo CCB com quase todos os agrupamentos (e reproduzi-la de forma automática ou com escolha aleatória) em 

http://www.youtube.com/watch?v=bqJ8Nn5LtMU&feature=BFa&list=PLD76CA673B0937839

   Salientaríamos, p.ex., duas prováveis boas homenagens ao poder da voz humana que devem ser as sessões B3 (e C10) dos Le Mystère des Voix Bulgares a cantar música étnica ainda actual como o tema Pritouritze Planinata  :

 

 

 

ou, cronologicamente distante, as sessões B17 (e C21) da Capilla Flamenca cantando autores dos séculos XIV a XVI (Josquin Desprez, Alexander Agricola, Heinrich Isaac, Pierre de La Rue, Guillaume de Machaut, Bernard de Cluny e outros) : 

 

 

 

 

 

 

   Finalmente no Domingo 29 de Abril abandonemos por momentos os Dias da Música (em curso) para ir ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, assistir à estreia em Lisboa do espectáculo coreográfico de Rui Horta criado a pedido da Casa da Música para assinalar o 100º aniversário do nascimento de John Cage e que aquele denominou Danza Preparata.

   Diz ainda o coreógrafo : “Cage é incontornável para a história da dança, não apenas pela sua longa colaboração com Merce Cunningham, mas sobretudo pela importância das suas reflexões teóricas e consequentes repercussões na história da criação coreográfica contemporânea. Danza Preparata é, assim, um solo para um ‘corpo preparado’ em diálogo com um piano preparado. As Sonatas e Interlúdios são interpretadas por Rolf Hind, um intérprete magistral das obras para piano preparado de Cage. Faltava um ‘corpo preparado’, que me será emprestado pela experiente e maravilhosa bailarina italiana Silvia Bertoncelli, uma intérprete tecnicamente irrepreensível e artisticamente polifacetada.”

   Poderá ver-se tudo isto no vídeo seguinte :

 

 

 

   Para quem queira saber como Rui Horta integra a filosofia indiana que inspirou Cage nas fórmulas de dança que correspondem à sua música e também na forma de tocar a mesma, veja aqui.

 

 

Caro leitor : Mais tarde seguem as Cordas sobresselentes.

 

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