EM COMBATE – 39 – por José Brandão

 

 

 

 

 

Companhia de Caçadores 1494

 

ANGOLA

1966-1968

 

 

 

 

 

 BATALHÃO 1875

 

Foi neste Batalhão de Caçadores 1875, mais precisamente na Companhia de Caçadores 1494, que no norte de Angola distrito de Uíge, entre Carmona e Ambrizete, no local geográfico conhecido como TOTO, Vale de Loge, Bembe, e ultimamente Inga, que passei dois ricos anos da minha Juventude.

 

Ligado à área da saúde, como 1º Cabo Enfermeiro, tínhamos à nossa responsabilidade uma companhia de soldados de Infantaria, todos eles jovens na casa dos 22 anos, incluindo as populações civis as quais também beneficiavam de assistência médica e medicamentosa, chamada na época PSICO.

 

A Equipa da saúde era composta por um Médico de clínica geral com a patente de tenente, um furriel miliciano e dois cabos Enfermeiros.

 

As populações civis já naquele tempo tinham assistência médica gratuita, incluindo consultas, medicamentos no momento e injecções.

Muitos veteranos, que prestaram serviço militar, em África, sabem que é assim.
Esta história que é verídica, aconteceu de Janeiro de 1966 a Abril de 1968.

O COMEÇO DE UMA VIDA

 

Foi aos 21 anos, no dia 3 de Maio do ano 1965, que assentei praça no Batalhão de Caçadores 6, Cidade de Castelo Branco. Terminada a recruta dois meses depois, fui direitinho para o Regimento serviço de Saúde Cidade de Coimbra.

 

Bonita e bela Cidade banhada pelo rio Mondego, e com bons jardins, permaneci neste quartel quatro meses, afim de fazer a especialidade: Maqueiro e Auxiliar de Enfermeiro, depois fui para o Hospital Militar Principal Lisboa à Estrela, estagiar no serviço de Urologia.

 

Terminada a especialidade, fui de novo para Castelo Branco, desta vez para o Regimento Cavalaria 8, onde permaneci apenas duas semanas.

Fui de fim-de-semana à terra, e quando regressei à segunda-feira, recebo a notícia que eu mais um colega meu, estávamos mobilizados para o Ultramar. Ambos para o dito batalhão 1875. Eu na companhia 1494, ele na 1495.

 

Este colega de arma chamado Carrola, do Casal da Serra na área do Tortozendo, chegando a Abrantes, foi encontrar os militares do dito Batalhão já a usufruir os dez dias de Férias, que pelo próprio direito gozavam todos os militares que eram mobilizados.

Em Abrantes tomámos uma refeição de feijão, que mais parecia papas de milho. Fomos para a terra gozar estas ditas férias, quando uma bela segunda-feira ando descontraidamente a passear no Fundão e alguém me disse que tinha chegado ao Telhado, um telegrama urgente para me apresentar no referido Quartel.

 

Não estou com meias medidas, meto-me num táxi, fui direitinho a casa, pego na trouxa e fui apanhar o comboio a Castelo Novo, salvo erro se a memória não me trai.

 

Chegado ao Regimento Infantaria 2, em 1966, hoje com o nome de Cavalaria “não sei quantos”, chegado ao depósito de material para receber a farda verde ou seja entregar a farda cinzenta – foi no período de mudança da cinzenta para a verde – encaro de frente com um rapazito que fez a recruta comigo: o Moura, de Aldeia Nova do Cabo.

 

Já noite, lá seguimos para Lisboa, embarcamos no barco “Império” e desembarcamos em Luanda a 27 de Fevereiro, com destino ao campo do Grafanil por onde passaram milhares e milhares de jovens, onde quase até as melgas nos queriam comer. Não é que me incharam as mãos com tantas mordidelas!

 

 

1 Comment

  1. Caro Brandão, foi o acaso que me fez passar por aqui. E porque fomos camarada de armas, não quis que passasse em branco a oportunidade de cá deixar algo.
    Como o Brandão, tirei a especialidade em Coimbra. Fui, com todos os do meu curso, inaugurar o Regimento do Serviço de Saúde em Janeiro de 1965. A prática hospitalar foi no Hospital Militar nº 1, na cidade do Porto, onde permaneci vários meses em Cardiologia, Dermatologia e Psiquiatria, acabando por ser mobilizado também para Angola. Talvez o último do meu curso a ter esse azar, por ter sido o melhor classificado.
    Pertenci ao B.C. 1867, C.C. 1463. No dia 29 de Novembro de 1965 cheguei a Luanda – Grafanil, e no dia 7 de Dezembro a QUIBALA. Logo a seguir, no dia 13, a primeira emboscada. Cerca de 1 hora de fogo, 1 morto e 6 ou 7 feridos.
    Provavelmente nos chegámos a cruzar, pois fui várias vezes ao TÔTO e encontrei-me lá com malta do Vale do Loge, local onde passei duas vezes, a última das quais em 12 de Fevereiro de 1967, dia em que fomos transferidos para a fronteira, a norte de Maquela do Zombo.
    No TÔTO, ainda cheguei a beber umas cervejas por conta de um sujeito do Vale do Loge a quem tinha saído a lotaria.
    Já passaram praticamente 50 anos. E apesar de lá termos passado um mau bocado e termos comido do pão que o diabo amassou, não sei porquê, mas há uma espécie de nostalgia que nos prende àqueles tempos.
    Um abraço do Sérgio O. Sá «sergio.o.sa@sapo.pt»

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