23:00 – Chegada da EPC ao RC 7 e RL 2 que ocupa, perante a rendição, sem resistência, dos seus comandantes.
O argonauta João Brito Sousa faz o seu balanço sobre o 25 de Abril. Nestes 38 anos temos feito muitos balanços, revendo sempre em baixa o que tínhamos feito antes. Mas vamos dar a palavra ao Brito de Sousa:
Andavam coisas no ar por essa altura, antes, até. Já tinham havido uns sinais no mês anterior, Março, nas Caldas da Rainha, mas não deu certo. Na noite de 25 de Abril o facto consumou-se. Depois foi o saborear. As pessoas andavam eufóricas nos dias que seguiram ao estalar da revolução. A palavra “camarada” surgia nas conversas mas nem todos gostavam dela. Houve comícios, sessões de esclarecimento, muita coisa. Uma revolução traz sempre uma mensagem de esperança. Ganhou-se Liberdade, não igualdade. Criaram-se Comissões de Moradores e as pessoas disponibilizaram-se para alindar as ruas, retirar ervas nascidas por entre as pedras da calçada. O ambiente era acolhedor. Regressaram ao País, individualidades de grande envergadura política, os mais conhecedores e experientes e surgiram outras figuras de relevo, uns provenientes das Universidades, outros da área sindical e parecia, repito, parecia, que as coisas poderiam evoluir. Mas nada disso aconteceu. Hoje passados trinta anos, acho que estamos em piores condições. O dia 25 de Abril e seguintes, o que teve de mais belo foi o cravo na ponta das espingardas. De resto, houve oportunismos como é habitual nestas alturas. Pessoas impreparadas, mas porque filiadas em partidos políticos com peso na dinâmica do País, ocuparam lugares de Administração nas empresas. A Reforma Agrária realizada foi feita de rajada, sem planificação e claro, as coisas, não correram como se desejava ou esperava. John Ralws, já tinha escrito a sua “Injustiça Social” mas ninguém quis saber disso. E tinha sido tão fácil levar as pessoas a entender que, se os mais capazes dessem uma mãozinha aos menos capazes, viveríamos mais perto uns dos outros e haveria mais possibilidades de sermos felizes, ou, como diz Saramago, haveria mais possibilidades de conseguirmos a desejada harmonia social. O Partido Comunista era a mesma coisa de há cinquenta anos atrás, seja, a sua prática política, em minha opinião, não casava com o pensamento do País, salvo no Alentejo e pouco mais, apesar de em termos de organização continuar a ser exímio. O Partido Socialista, com quadros de elevada competência, era socialista em Portugal e social democrata na Europa. O que baralhava as pessoas Restam o PPD, o CDS e mais uns quadros pequenos partidos, liderados, respectivamente por pessoas com experiência e assento na Assembleia da República (Ala Liberal), por professores Universitários qualificados e por Américo Duarte, da extrema esquerda e hoje camionista, que ao sair da primeira sessão na Assembleia da República, disse aos jornalistas. “Aquilo é um ninho de lacraus”.
Com o HOMEM de hoje não há hipóteses de sermos felizes. Cada a vez mais corrupto ? Sim. Cada vez mais desigualdades sociais ? Infelizmente sim …
O acontecimento valeu a pena ? Sim. Estamos melhor hoje ? Não.
É o que eu penso.

