03h00 – A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.) – Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos – foi tomada de assalto pela força da EPAM. – As 16 viaturas militares, precedidas de um automóvel de exploração civil, que constituíam a força da EPA – composta por uma bateria de artilharia (BTR 8,8) e uma companhia de artilharia motorizada comandadas, respectivamente, pelos capitães Oliveira Patrício e Mira Monteiro – cruzaram a porta da unidade e partiram de Vendas Novas em direcção a Lisboa. – Uma bateria de artilharia (BTR 10,5) da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes, ocupou posições a cavaleiro das estradas de Montemor-o-Novo e Lavre, assegurando a interdição destes eixos viários e garantindo a segurança próxima da unidade. – Abrira-se os portões do quartel do BC 5 dando saída a duas companhias operacionais. – O major Campos Moura e o capitão Correia Pombinho, encarregues de assinalar a saída dos homens do BC 5 e que aguardam na viatura do primeiro, escondida por detrás de sebes fronteiras à Penitenciária, partem de imediato para informar o 10º «Grupo de Comandos» do facto. – Em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Militares (CIOE), o seu comandante, tenente-coronel Sacramento Marques deu ordem de saída a uma companhia de tropas especiais que, após cinco horas de percurso, entrará no Porto.- Nesta cidade, uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, penetra no Quartel-General da Região Militar do Porto (QG/RMP), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte.
03h07 – Encontro do 10º «grupo de comandos» com a segunda companhia do BC 5, comandada pelo tenente Mascarenhas, na confluência da rua Castilho com a Sampaio Pina. O major Fontão estabelece contacto proferindo a senha Coragem! a que o capitão Mendonça de Carvalho responde com Pela Vitória!
03h12 – Efectuada a junção com êxito, encaminham-se para a entrada do Rádio Clube Português que o porteiro Alcino Leal virá a abrir, dando entrada a oito oficiais, sete dos quais armados com pistolas Walther. Estava conquistado sem incidentes o R.C.P., tendo o capitão Santos Coelho informado, de seguida, o Posto de Comando de que México passara para as mãos do MFA.
03h15 – A coluna do CTSC, comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, chega à Emissora Nacional (E.N.) e ocupa a estação de rádio oficial. Tóquio viera completar o domínio de três objectivos fundamentais na área da comunicação social.
c. 03h15 – As Companhias de Caçadores (Ccaç) 4241/73 e 4246/73 encontram-se com a EPE. A Ccaç 4241/73 marcha para o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto; a Ccaç 4246/73 dirigir-se-á a Vila Franca de Xira para dominar a Ponte Marechal Carmona e a EPE seguirá para Lisboa a fim de ocupar posições de defesa na Casa da Moeda.
03h16 – No posto de comando do MFA é interceptada uma conversa telefónica entre o general Andrade e Silva, ministro do Exército e o Prof. Silva Cunha, ministro da Defesa, trocam impressões sobre a situação geral, revelando que tinham conhecimento de que se preparava um jantar importante de carácter conspirativo, mas que a DGS vigiava os oficiais. O primeiro membro do governo, entre outras considerações, afirma que “A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo…está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País.” A chamada é interrompida porque o responsável máximo da DGS se encontrava noutro telefone para falar com o ministro da Defesa.
03h30 – A força da EPC – com 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte de tropas, duas ambulâncias e um jipe e precedida por uma viatura civil, com três oficiais milicianos – comandada pelo capitão Salgueiro Maia, cruza a porta da unidade e sai de Santarém em direcção a Lisboa. – A primeira companhia do BC 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, toma posições de cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa (QG/RML). O oficial de serviço, aspirante Silva, informa o chefe do Estado-Maior, coronel Duque, da situação. Inicia-se, a partir de então, de acordo com a cadeia hierárquica, o processo de prevenção dos principais responsáveis das Forças Armadas. – Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se das instalações da Rádio Renascença.
c. 03h30 – Surge o primeiro alarme oficial das forças governamentais sobre a eclosão do Movimento, na cidade do Porto: o coronel Santos Júnior, comandante da PSP local, informa o Comando da GNR da tomada do QG/RMP pelos revoltosos.
03h31 – Os ministros da Defesa e do Exército retomam o diálogo telefónico, acabando por concluir que o Presidente da República, nesse dia, “pode deslocar-se à vontade, porque, por lá (Tomar), está tudo calmo”.
03h40 – A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é detido, nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida. Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte: a coluna do RAP 3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro, aguarda-se que cheguem as forças do Centro de Instrução de Condução Auto 2 (CICA 2) da Figueira da Foz e do RI 14 de Viseu.
03h55 – A companhia do RI 14 autotransportada, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede
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03h56 – O Posto de Comando toma conhecimento que foi quebrado o factor surpresa. O documento onde são anotadas as escutas telefónicas – intitulado A Fita do Tempo – regista: «Concentração que avança sobre Lisboa. Ele (Min. Ex?) vai já para lá (?)».
03h57 – A ausência de notícias da coluna da EPI, que ainda não conquistara o Aeroporto, conduz ao adiamento da transmissão do primeiro comunicado inicialmente prevista para as 4h00.
O nosso amigo e companheiro Hélder Costa, actor. director teatral e dramaturgo, assoberbado de trabalho e com mil e um compromissos no seu Grupo de Teatro A Barraca, não quer deixar de estar presente e pede-nos para transcrevermos um texto do seu livro O Saudoso tempo do Fascismo.
Há anos dirigi um espectáculo, “O Baile”, narração da História de Portugal, em dança e sem palavras, de 1930 até 1988. A chegada do 25 de Abril foi simbolizada com uma actriz invadindo o espaço com a bandeira portuguesa e varrendo para fora de cena um Pide. Uma dita extrema – esquerda e gente da direita criticou a cena por esse acto ter sido praticado com a bandeira portuguesa. A paranóia dessa dita esquerda não tem importância; mas o facto de a direita me ter sugerido e exigido que a bandeira devia ser vermelha porque se tratava da revolução comunista, já tem a sua graça.
O 25 de Abril que foi uma vitória sem um tiro dos militares ou de qualquer civil, uma data que ficou marcada pelos últimos assassinatos cobardes dos Pides na António Maria Cardoso, um golpe militar que elucidou sem margem para duvidas que o regime estava podre e que ninguém o apoiava, passava a ser uma revolução dos perigosos e implacáveis “comunas”! A versão tem graça porque essa gente continuará sempre a fechar os olhos à realidade e a odiar o novo Portugal que se pensa construir.
São esses que dantes diziam que Portugal era “a nação orgulhosamente só” e depois só tinham reverências e beija-mão para os patrões internacionais, são os que afirmam que são patriotas mas fogem com capitais para offshores, são os que lamentam não ter nascido noutro país “porque ai é que me davam valor” … são os que vão para a política para terem imunidades e impunidades e assim fugirem à justiça, são os falsificadores e pusilânimes de sempre.
São os que sempre adoraram “minorias absolutas” – ou seja, ditaduras em que só eles e os seus esbirros mandam -, e que hoje fingem gostar do voto do povo; são os que apelam ao fim da abstenção e ao mesmo tempo lançam boatos e campanhas de desprestigio contra a classe política para o povo morder a isca, dizer que “afinal, é todo farinha do mesmo saco”, e deixar de votar.
Porque a verdade é que essa gente não perde um voto; a avó entrevada, O doente da família, o marginal drogado e odiado, nesse sacrossanto dia do voto é arrastado para pôr o papelinho na urna para salvar a honra do velho mundo do privilégio e da diferença.
São os que imaginaram o logro a Salazar, hoje continuam a ludibriar o povo português, e continuarão eternamente a fazer o mesmo.
Até porque não sabem fazer mais nada.

