PRIMEIRO DE MAIO – “Marinha/Murano” – por Manuel Simões

Marinha/Murano

 

 

 

Impensável a origem

do vidro

sua massa

aderindo ao ferro

do vidreiro.

 

Não se imagina

o fogo, os fornos

temperados

a súbita viagem

para o molde

disponível.

 

Mas que dizer

do sopro magoado

do artífice,

seu ventre dilatado

na explosão reprimida

à superfície?

 

Impensáveis os ofícios

de vidrar;

a sílica em fusão

no ácido ou vícios

de cortar.

 

O esmeril corrompe

a intenção,

lapida-lhe o cristal

à flor do vidro

e não fere fundo

o nervo, a coesão

amarga de raízes

e moldes

sem motivo.

 

E o vidro fica então

impune e vasto

entre a mão

afeiçoada

e o esmeril de não cumprir

já gasto.

 

(em Crónica Segunda)

 

 

 

 

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