Gaetano Donizetti nasceu em 29 de Novembro de 1797, em Bérgamo. Foi contemporâneo de compositores tais como Beethoven, Bellini, Chopin, Haydn, Mendelssohn, Paganini, Rossini, Schubert, Schumann, Verdi, Wagner e muitos outros. O mundo de Donizetti foi um mundo em plena transformação, que vai do período clássico, passa pelo romantismo e chega até aos princípios da modernidade.
Donizetti era de origem muito humilde. Em 1806, foi admitido como aluno de canto e cravo na escola que o compositor e pedagogo Simon Mayr tinha aberto em Bérgamo nesse mesmo ano. Desde logo Donizetti chamou à atenção de Mayr, e já em 1811, com 14 anos, recitou, cantou e improvisou ao cravo uma farsa deste autor “Il piccolo compositore de música”.
Em 1815, por diligências de Mayr, foi estudar contraponto com o famoso padre Mattei em Bolonha, onde permaneceu até novembro de 1817. Em janeiro de 1822 estreou no Teatro Argentina, de Roma, a ópera “Zoraida di Granata”. Nesse mesmo ano foram estreadas óperas suas, no teatro Novo, de Nápoles, e no Scala de Milão: “La zingara” e “I pirati”.
A grande facilidade para compor, a força dramática da sua música, que chega directamente ao público, as necessidades económicas e os êxitos alcançados perante públicos como os de Palermo, Roma, Nápoles e Milão, foram as causas que levaram Donizetti a concentrar a sua actividade de compositor no mundo do teatro lírico. Escreveu em média quatro óperas por ano, mas a sua actividade não ficou só por este campo, abrangeu os mais diversos aspectos do teatro musical, desde mestre de canto e maestro preparador até director de cena e de orquestra. Foi como director de orquestra que demonstrou dotes extraordinários: à sua grande capacidade juntou uma imaginação fora do vulgar, do que resultaram inovações importantes quanto á colocação da orquestra.
A famosa ópera “Lucia di Lammermoor”, foi considerada uma das suas obras-primas foi inspirada num romance de Walter Scott “The Bride of Lammermoor”.
Entre todos os libretistas que trabalharam com Donizetti, Salvatore Cammarano foi o que melhor se adaptou ao carácter romântico do compositor. O êxito que o seu trabalho em comum, “Lucia di Lammermoor” alcançou na Opera de Paris foi ensombrado pela notícia, três dias antes, da morte prematura de Bellini.
Se Rossini foi o inovador da ópera napolitana e Bellini deu à ópera romântica um patético de tipo lírico e aristocrático, Donizetti soube exprimir, como ninguém antes havia feito, as situações dramáticas das suas personagens. Isso explica os seus heróis e heroínas mais geniais (Lucia, Nemorino e Dom Pascuale) se tornassem imediatamente populares e ainda hoje continuem a sê-lo. Donizetti converteu em figuras humanas as personagens da ópera-bufa italiana que, até aí, tinham sido apenas figuras cómicas. As óperas “Ana Bolena”, “Maria Stuart” e “Roberto Devereux”, são conhecidas pelo nome de “ciclo Tudor”.
Em 1840, já instalado em Paris, estreou três óperas que confirmaram a sua fama: “La fille du régiment”, com libreto de Saint-Georges e Bayard, “La favorite” escrita por Royer e Väez e a segunda versão de “Poliuto”, a que o seu libretista, Scribe, deu o título de “Les Martyrs”.
A sua estada em Paris foi interrompida por contínuas viagens mas foi em Paris que escreveu a sua última obra-prima “Dom Pascuale” que, com libreto de Ruffini e do próprio Donizetti, foi estreada no Théatre Italien em 1843, ano no qual também se estreou na ópera parisiense, com pouco êxito, a sua derradeira obra “Don Sébastien, roi de Portugal”, com libreto de Scribe.
A sua vida foi totalmente dedicada à composição. O catálogo das suas obras atinge o elevado número de 611, das quais 71 são óperas.
Entre a sua variada obra destaco a sonata que se segue:
Donizetti morreu em 8 de Abril de 1848 (51 anos) na sua cidade natal.
Base da informação: colecção “Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores” – Jesús López Cobos

