Diário de bordo de 16 de Maio de 2012

 

 

Tommaso Campanella na sua Civitas solis, (“A Cidade do Sol”), preconizava um ministério da Harmonia e do Amor, que regulamentava as relações entre as pessoas, incluindo a procriação. Nesta aberração institucional que dirige os destinos do país, parece haver um ministério da Verdade. Da Verdade perversa, diga-se – tão mentirosa como a de Sócrates e envenenada com a sinceridade brutal de quem despreza os destinatários da sua sinceridade. Uma verdade diariamente retocada com a emenda de lapsos; emenda que torna a verdade mais negra de dia para dia. Uma verdade inimiga do amor e da harmonia.

 

Com a determinação arrogante que a ignorância confere, as decisões são tomadas, fazendo tábua rasa da legalidade democrática, destruindo a coesão social mínima e a propria sustentabilidade (palavra de que eles tanto gostam) do regime democrático. As maiores enormidades, os maiores atentados a direitos de funcionários públicos e pensionistas são perpetrados como se de medidas normais se tratasse. Até quando se poderá manter a ficção de que vivemos em democracia? 

Numa entrevista, Ricardo Salgado, o home do BES (o tal que via a integração de Portugal no Reino de Espanha como coisa favorável) vem dizer que Portugal será ajudado pelos seus pares europeus, pois tem feito uma «caminhada impressionante». Impressionante, de facto, mas desconfiamos que não pelos mesmos motivos que Salgado valoriza.

 

Aconselhamos vivamente que vejam o documentário que apresentamos às 21 horas de hoje – “Catastroika”. Mostra-nos como irá ser o nosso futuro se continuarmos a aceitar passivamente o roubo de que estamos a ser vítimas.

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