Globalização e Desindustrialização – 4ª Série

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Capitulo IV. 1. Bens e serviços negociáveis e não negociáveis no quadro da economia global: o caso da economia americana. Por Michael Spence e Sandile Hlatshwayo  – IX

 

(continuação)

 

O valor acrescentado nos negociáveis internacionalmente

 

Os dados mais interessantes dizem respeito às tendências de valor acrescentado verificadas na parte dos negociáveis internacionalmente. Os grandes sectores nos transaccionáveis (são mostrados na Figura 13) merecem uma análise aprofundada, cuuidadosa. Seria de esperar que as tendências no valor acrescentado sido semelhantes às tendências verificadas no  emprego, algumas a subir enquanto outras a descer.

 

Mas na verdade, a evolução do valor acrescentado entre as indústrias, entre sectores, é  na sua maior parte crescente.  Em paralelo com o aumento do emprego a partir de 1990 e até  2008, o valor acrescentado na parte dos  negociáveis  internacionalmente também aumentou no sector  financeiro, e nos   seguros (+56 por cento); nos serviços profissionais de engenharia e nos serviços  científicos (+72 por cento); no sector das  informações (+ 91 por cento). Mas os sectores da indústria transformadora, onde o emprego diminuiu, todos eles mostram aumentos do valor acrescentado — no sector I da indústria transformadora I de  8%; no sector II da indústria transformadora, de 27 por cento e no sector  III (com exclusão da electrónica, dos automóveis e das industrias de material aeronáutico e naval), de 17 por cento. Os dois únicos grandes sectores que registaram  declínio foram o do sector  outros transportes (que inclui o aeronáutico, ferroviário e naval), 19% e as indústrias extractivas, 49%…

 

 

Mudando agora  para os sectores de menor peso em termos de valor acrescentado  (Figura 14), o valor acrescentado no design de sistemas de computador cresceu juntamente com o emprego. Mas o maior acréscimo ocorreu na electrónica (+363 por cento), que é um sector onde o volume de emprego tem sido  decrescente. O crescimento explosivo nas vendas de produtos electrónicos e no valor acrescentado   não é uma surpresa, dado o crescimento da procura de computadores, telefones celulares e muitos outros dispositivos que se ligam à Internet.

  

O declínio do emprego no sector da electrónica nos Estados Unidos, apesar do elevado crescimento no valor acrescentado, é explicado pela deslocalização de um número crescente de partes da cadeia de valor acrescentado, o que vai  desde a cadeia de montagem, intensiva em trabalho, até à fabricação de semicondutores e de design ou  até mesmo ao desenvolvimento de produtos.

 

Assim, aqui temos o caso clássico: crescimento do sector é elevado e é  elevado o crescimento do valor acrescentado  porque as partes de elevado  valor acrescentado na cadeia global de produção  se mantiveram  no espaço nacional.

 

Entretanto, as partes de mais baixo acrescentado são deslocalizadas explicando-se assim o declínio nos volumes de emprego.

 

 

 

Em forma de resumo, em certos sectores — em grande parte de serviços — a economia dos EUA continua a ter uma vantagem comparativa. Neles, o emprego e o valor acrescentado cresceram em conjunto. Mas noutras classes de industrias ou de sectores de produção, o valor adicionado cresceu  enquanto o  emprego diminuiu. A explicação para esta evolução conjunta no contexto da economia global e a mudança nas  características das economias emergentes não é difícil de descobrir. As partes da cadeia de valor acrescentado  nestas indústrias estão a deslocar-se  para outros países, com forte destaque para as economias emergentes. As partes que se estão a mover  são aquelas que são de  menor valor acrescentado por trabalhador. Como as economias emergentes crescem e amadurecem, a concorrência vai subir ao longo da cadeia de valor acrescentado. Isso tem vindo a acontecer desde há já algum tempo.

 

(continua)

 

Leave a Reply