OS SINDICATOS – 2 – por Raúl Iturra

(Conclusão)

 

Sus últimos años es acogido por los sacerdotes franciscanos. Muere solo en Santiago, el 31 de mayo de 1990. Fonte: Dictionary of Irish Latin American Biography; outra fonte são as minhas memórias, ajudadas pelos mais de 400 cadernos nos quais escrevo, para não esquecer, os factos mais importantes do tempo em que vivo. Tive a sorte de o conhecer na fundação do grupo de cristãos para o socialismo e na tomada da Catedral, um movimento universal no Chile de Allende, para protestar como éramos tratados, especialmente pelos homens «caridosos» do cristianismo, que nos queriam ver mortos: enquanto Clotário tomava a Catedral de Santiago, o meu sacerdote amigo, António Gil Pérezagua organizava a tomada da de Talca e eu, a de Valparaiso, com José António Bengoa Cabello, meu antigo assistente, hoje Reitor da Universidade de Humanismo Cristão e membro da UNESCO. O sacerdote Sérgio Villalobos, e eu, fomos chamados pelo nosso grande amigo, Bispo de Talca, Monsenhor Carlos González Cruchaga, a quem eu tinha afrontado, quando fui ao Chile de Allende, na cerimónia da sua tomada de posse como Bispo de Talca: não vai morar no palacete do seu antecessor, o Bispo Larraín, pois não? Saiba, Don Carlos, que Talca é uma cidade pobre e as pessoas moram em ruças, casas velhas ou em meias águas proporcionadas pelo governo, essas casas de madeira com teto de dois paneis, onde a chuva escorre. Ele ripostou – éramos amigos desde os meus 20 anos, como Reitor do Seminário de Santiago, eu, Advogado- ripostou, pois, se queria mandá-lo morar numa meia água.

 

A minha resposta foi que não me atreveria a tanto, mas que seria um excelente exemplo para os ricos proprietários de terra de Talca, denominada o rim da aristocracia chilena. Ele rapidamente me disse: e tu? A minha resposta foi de duas águas: primeiro, estou casado com a filha de um general e pensariam que era outra das minhas loucuras; em segundo lugar, Don Carlos, criei na Pontifícia Universidade Católica do Chile, sede de Talca, uma escola para os camponeses aprenderem a ler e escrever pelo método de Paulo Freire, que trabalha connosco, bem como todos os fins-de-semana participamos nas missas de localidades rurais e explicamos o Êxodo e outros livros da Bíblia, e, Don Carlos, Missas celebradas em Castelhano, na época em que a língua oficial da Igreja é o latim. Solicitou-me convidá-lo, e foi connosco várias vezes, com a condição de as suas vestes serem as de Sacerdote, porque se fossem as de Bispo, a alegria e as festas nunca mais paravam.

 

Assim foi feito. Bem sabia ele que eu não era homem de fé, mas que sabia mais de Direito Canónico, Patrística e de Teologia, que os seus curas. Quis ouvir-me predicar e falei: de sindicatos, dos pecados dos ricos, das bebedeiras dos inquilinos e por ai fora. Ficou admirado, congratulou-me dizendo que eu devia ter sido sacerdote…Fomos sempre amigos e quando levava a minha ultra católica mãe a Talca, íamos visitá-lo ou ele nos visitava em nossa casa. Bem sabia que eu era marxista e materialista, mas nunca nada comentou por causa da minha obra. Foi morar numa meia água, feita especialmente para ele, e ai debatíamos ideias, fé, justiça, sindicatos. Quem me dera que ainda estivesse vivo – faleceu no ano anterior – para com ele discutir o meu livro intitulado: Marx, um devoto luterano, ao qual se pode aceder no repositório do ISCTE: http://repositorio.iscte.pt/ ou no internacional: http://www.rcaap.pt

 

O Concelho de Bispos Chilenos mandou que colocássemos a questão em debate. Don Carlos, no entanto, mandou por nós, acusou-nos numa sala cheia de pessoas do nosso movimento e disse-nos que andávamos a fazer dos camponeses pessoas marxistas. Todo o mundo calou, sabíamos que não era assim. Como presidente do movimento, saí do meu sítio, argumentei em pé essa calúnia: todos votamos por la vía chilena para el socialismo.

 

Solicité a mi Rector, Fernando Castillo Velasco, ser enviada a la Sede de Talca de la Pontificia Católica de Chile. No quería, pero como Antropólogo ya, me parecía útil estar en terreno para ver cómo era conducida esa vía para el socialismo Pocos meses después, Fidel Castro, de visita en Chile, nos pidió organizar lo que hicimos: Cristianos para el Socialismo. Mi amigo, quién por mi incentivo dejó el palacete de su antecesor Manuel Larraín y se fue a vivir como todos en una media agua, arreglada como debía ser para un Obispo. Su comentario fue, como siempre, lleno de risa: “Bueno, mi señor, como habitualmente me llamaba, acá me tiene a vivir como los pobres”.

 

Fue abrazo y beso de inmediato, era un papá para mí. A pesar de mi falta de sentimiento de fe, él respetaba mi cristianismo. Pero, al organizar el movimiento, como Presidente del Episcopado Chileno, nos mandó llamar y tuvimos un debate a tajo abierto y en público. Mi argumento fue simple: “Don Carlos, el Espíritu Santo no está sólo con Ud., está con el pueblo de Dios, como está escrito en las Actas de los Doce Apóstoles.  ¡No lo quiera acaparar todo para Ud.,  pues!”. Lo hice reír, argumenté con Derecho Canónico y Teología, y quedamos como debía ser: la Conferencia Episcopal después de oír su relato sobre nuestras actividades cristianas, hasta nos apoyó.

 

Tremer, tremíamos, estávamos habituados a sermos cristãos obedientes, a respeitar a hierarquia religiosa e civil, apesar de não termos muitas inclinações, mas a pobreza do povo vista e vivida por nós, ensinou-nos que apenas com a reforma da agricultura ou reforma agrária, a mudança das formas de trabalho dos inquilinos, unidos em sindicatos e letrados, podíamos triunfar.

Foi a segunda vez que fui encarcerado por causa de sindicatos….

 

A seguir –

 

 

 

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