Batalhão de Caçadores 4212
ANGOLA
1973-1975
Entre Abril e Junho de 1973 o Batalhão 4212/73 foi formado no RI 2 de Abrantes.
Rumou a Angola em Julho, tendo feito o IAO nas matas do Catete, estando estacionado na Funda (antigo colonato), depois de uma breve passagem pelo Grafanil (Luanda), por onde aliás toda a tropa passava…
No dia 21 de Agosto iniciou a sua aventura, com a 1ª C/BCaç 4212 rumando ao quartel de Lumbala no Leste.
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..DA LUMBALA A CARIPANDE…
Caripande foi em tempos o posto fronteiriço de ligação de Angola à Zâmbia pelo Saliente Cazombo.
Era uma pequena aldeia, composta por uma sanzala, algum comércio, posto administrativo e fronteiriço e um destacamento militar. Este pertencia à Companhia aquartelada na Lumbala.
Com a intensificação dos combates nas décadas de 60 e 70 e dada a presença de uma base do MPLA em território zambiano, a pouco km da fronteira, no tempo da Companhia anterior à nossa, foi decidido abandonar Caripande, dada a insegurança com que lá se vivia. Efectivamente Caripande era constantemente fustigada com ataques de morteiro vindos do outro lado da fronteira e, quem se encontrava em Caripande, não podia ripostar, pois isso seria violar território estrangeiro e por conseguinte infringir as leis internacionais.
Abandonado Caripande havia necessidade de manter aquela zona patrulhada, a fim de tentar controlar a infiltração de grupos do referido movimento armado ali baseado e sua possível actividade bélica, principalmente na montagem de armadilhas e colocação de minas nas picadas.
Quando efectuávamos essas patrulhas ou operações percorríamos picadas, caminhos de floresta e trilhos. Diversos obstáculos tinham de ser ultrapassados, entre os quais os rios da rede hidrográfica daquela região, alguns dos quais afluentes do Lufuige e outros como este do Zambeze. Podemos enumerá-los desde a saída da Lumbala. Assim tínhamos: o Nhamboma com o Macunhe, o Cavanda, o Luxima com o Cagila, o Chissamba, o Cacande, o Catecha, o Calupemba e o Lufuíge com o Londoge e o Lué. Por último e antes de chegar ao Caripande encontrávamos o Chibeba.
Grande parte destes era atravessado pela picada que antigamente ligava a Lumbala a Caripande e por isso havia que manter transitável e livre de qualquer perigo as pontes neles existentes. Muitas delas foram por nós reconstruídas com toros de madeira, coisa que facilmente obtínhamos com o abate de algumas árvores.
Durante a nossa estada naquelas paragens mantivemos uma intensa actividade de patrulhamento na área que nos estava adstrita e assim conseguimos manter toda a zona livre de qualquer ofensiva e as nossas picadas limpas de armadilhas. A isto não seria estranha a experiência do nosso capitão, que ali tinha feito o seu tirocínio como alferes. No entanto chegado o 25 de Abril de 1974 veio a ordem do comando da Região Militar do Luso e o cancelamento de todas as operações e suspensão de qualquer tipo de actividade. Em suma, teríamos de nos manter aquartelados mas sem efectuar patrulhas, operações ou o que quer que fosse. A guerra tinha acabado!
Puro engano…A guerra para nós tinha começado! A partir daí foi uma sucessão de acontecimentos. Primeiro sofremos um ataque ao quartel em Junho de 1974, foi o primeiro ataque desferido pelo MPLA em território angolano com mísseis terra-terra, armas que para nós eram desconhecidas. Eu encontrava-me em gozo de férias em Portugal e soube do dito através de um aerograma enviado por um companheiro, por isso não poderei relatar em pormenor o acontecimento e espero que isso venha a ser feito por algum dos presentes. No entanto, pouco tempo passado e quando já havia regressado à Lumbala, recebi correspondência do meu pai e, surpresa das surpresas, um recorte do jornal A Capital onde relatava em pormenor o referido ataque à Lumbala. Segundo o qual a Lumbala havia sido completamente destruída e as baixas mais que muitas…No entanto isso não passava de pura propaganda, pois dos ditos terra-terra nem um acertou no nosso quartel ou até mesmo na sanzala ou acampamentos circundantes dos GE e Flechas… Sem mais comentários…
Logo a seguir sofremos uma emboscada à escolta do MVL já a poucos quilómetros de Teixeira de Sousa. Aí sim a vítimas mortais aconteceram…
Aquando deste acontecimento encontrava-me eu no Luso, de regresso de férias. Quando a notícia lá chegou e dela tive conhecimento corri ao hospital a ver se chegavam feridos.

