Tenho andado a fazer uma pesquisa para um outro trabalho e tenho encontrado coisas muito bonitas que quero aqui partilhar. Dizem respeito a poesias sobre música, assim como pinturas como o mesmo assunto.
E hoje, um quadro de Cézanne vai fazer companhia a uma poesia de Florbela Espanca.
CHOPIN
Não se ascende hoje a luz… Todo o luar
Fique lá fora. Bem Aparecidas
As estelas miudinhas, dando no ar
As voltas dum cordão de margaridas!
Entram falenas meio entontecidas…
Lusco-fusco…um morcego a palpitar,
Passa…torna a passar… torna a passar…
As coisas têm o ar de adormecidas…
Mansinho… roça os dedos p’lo teclado,
No vago arfar que tudo alteia e doira,
Alma, Sacrário de Almas, meu Amado!
E, enquanto o piano a doce queixa exala,
Divina triste, a grande sombra loira,
Vem para mim da escuridão da sala…
FLORBELA ESPANCA


