Quando em Agosto de 2010 completou 90 anos disse em entrevista ao jornal Los Angeles Times, – “Acho que nosso país precisa de uma revolução” (…) “Há muito governo actualmente. É preciso lembrar que o governo deveria ser do povo, pelo povo e para o povo”.
O escritor também disse que os Estados Unidos deveriam “regressar à Lua” e reprovou o facto de o presidente Barack Obama ter renunciado ao projecto.:”Não deveríamos ter desistido disso. Deveríamos ir à Lua e instalar aí uma base, para lançar um foguete com destino a Marte; depois, ir a Marte e colonizá-lo”, estimou. “Depois disso, viveríamos eternamente”,. O homem que escreveu vários clássicos de ficção científica não era um defensor ardoroso da tecnologia: “Temos muitos telemóveis, muita internet. Deveríamos desembaraçar-nos imediatamente dessas máquinas”, disse na mesma entrevista. A um jornal europeu prestou declarações muito interessantes, nomeadamente sobre a sobrevivência do livro, do velho livro impresso, face às novas tecnologias da informação. «Tudo é amor», disse, «Escrevo por amor e esse é o meu único conselho – ama o que escreves e escreve sobre o que amas».
Na sua obra «Fahrenheit 451», aquela que François Truffaut magistralmente passou ao cinema, Bradbury exorciza um fantasma da sua adolescência, quando viu fotografias e os documentários de «actualidades» que passavam nos cinemas antes do filme principal, mostrando os nazis queimando livros considerados malditos pela nova ordem. No Portugal anterior à revolução de Abril, o filme de Truffaut foi acolhido com entusiasmo, pois era imediata a conotação política que se estabelecia entre aqueles «bombeiros» que queimavam livros e os censores salazaristas que mandavam apreender livros e publicações considerados subversivos.
