MARTE ESTÁ DE LUTO – Ray Bradbury morre com 91anos.

Morreu Ray Bradbury, autor de Fahrenheit 451,de Crónicas Marcianas e de outros clássicos da literatura fantástica e de ficção científica.

Quando em Agosto de 2010 completou 90 anos disse em entrevista ao jornal Los Angeles Times, – “Acho que nosso país precisa de uma revolução” (…) “Há muito governo actualmente. É preciso lembrar que o governo deveria ser do povo, pelo povo e para o povo”.

O escritor também disse que os Estados Unidos deveriam “regressar à Lua” e reprovou o facto de o presidente Barack Obama ter renunciado ao projecto.:”Não deveríamos ter desistido disso. Deveríamos ir à Lua e instalar aí uma base, para lançar um foguete com destino a Marte; depois, ir a Marte e colonizá-lo”, estimou. “Depois disso, viveríamos eternamente”,. O  homem que escreveu vários clássicos de ficção científica não era um defensor ardoroso da tecnologia: “Temos muitos telemóveis, muita internet. Deveríamos desembaraçar-nos imediatamente dessas máquinas”, disse na mesma entrevista. A um jornal europeu prestou declarações muito interessantes, nomeadamente sobre a sobrevivência do livro, do velho livro impresso, face às novas tecnologias da informação. «Tudo é amor», disse, «Escrevo por amor e esse é o meu único conselho – ama o que escreves e escreve sobre o que amas».

Na sua obra «Fahrenheit 451», aquela que François Truffaut magistralmente passou ao cinema, Bradbury exorciza um fantasma da sua adolescência, quando viu fotografias e os documentários de «actualidades» que passavam nos cinemas antes do filme principal, mostrando os nazis queimando livros considerados malditos pela nova ordem. No Portugal anterior à revolução de Abril, o filme de Truffaut foi acolhido com entusiasmo, pois era imediata a conotação política que se estabelecia entre aqueles «bombeiros» que queimavam livros e os censores salazaristas que mandavam apreender livros e publicações considerados subversivos.

 

Diz Jacinto Antón, do El País: Luto em Marte e luto nos nossos corações. A morte ontem à noite, com 91 anos, de Ray Bradbury, mestre da ficção científica mais lírica, deixa órfãos a eles, aos marcianos de olhos amarelos nos seus crepusculares canais de ensueño, mas também a todos os de aquí debaixo, seus filhos leitores, os que com ele viajámos em astronaves até às estrelas e bebemos o licor do Varão das infâncias perdidas sob os alpendres da mítica Green Town, Illinois.

 

Leave a Reply