Batalhão de Cavalaria 490
GUINÉ
1963-1965
Sob o comando do tenente-coronel Fernando Cavaleiro, o Batalhão 490 integrava a CCS e as CCav 487, 488 e 489. Arrancou de Estremoz, do RC 3, com a divisa “Sempre em Frente”.
A estadia na Guiné iniciou-se em Julho de 1963 e a comissão foi dada como finda em Agosto de 1965.
Apesar de já anteriormente terem ocorrido acções anticoloniais na Guiné-Bissau, 1963 foi o ano do início das operações militares. As primeiras realizaram-se em Janeiro de 1963, com o ataque dos guerrilheiros do PAIGC à guarnição militar de Tite, a sul de Bissau, e com as primeiras emboscadas na região de Bedanda.
Da actividade operacional do BCav 490, destaca-se a participação na Operação Tridente (Ilha do Como/Komo), uma das maiores operações militares efectuadas pelas tropas portuguesas em territórios então designados como ultramarinos.
Passou então à quadrícula. Em 31 de Maio do mesmo ano assumiu a responsabilidade do sector de Farim, que compreendia os subsectores de Cuntima, Jumbembem, Bigene e Farim e a partir de 29 de Junho o de Binta.
Em 25 de Março de 1965 preparou-se para ocupar Canjambari (que estava dentro do sector à sua responsabilidade e que na altura estava totalmente nas mãos da guerrilha). Foi uma acção violenta, com flagelações contínuas e a ocupação, apesar da vasta experiência das tropas do Batalhão, só se deu por concluída em 31 de Maio de 1964.
Entre outras, nas operações Jocoso, Vouga e Invento foram capturados não só guerrilheiros e subtraída população ao IN, como também apreendidas significativas (na altura) quantidades de material de guerra (1 ML, 19 PMs, 36 Espingardas Simonov e outras, 10 minas e cerca de 10.000 munições), numa época em que o PAIGC estava a fazer todos os esforços para o introduzir na zona Norte, em particular o Oio, utilizando para isso todo o chamado corredor de Sitató, que partia do Senegal, atravessava Canjambari e ia até Morés, donde irradiava para toda a zona limítrofe.
Fonte: Extracto da História do Batalhão de Cavalaria 490
SÍNTESE DA ACTIVIDADE OPERACIONAL
Após o desembarque, o BCav 490 permaneceu em Bissau em função, com duas subunidades em reforço do BCaç 512, a partir de 02Ago63, por rotação, a fim de actuarem intensivamente na região de Oio-Morés e Mansoa.
De 14Jan64 a 24Mar64, assumiu o comando das forças terrestres da operação “Tridente”, realizada nas Ilhas de
Como, Caiar e Catunco, reforçado com outras subunidades, incluindo fuzileiros especiais e pára-quedistas.
Em 23Mai64, seguiu para FARIM a fim de preparar a organização, deslocamento e instalação das forças do Sector C3, mais tarde, Sector 02, então criado e cuja área se encontrava incluída do antecedente na Zona de responsabilidade do BCaç. 512. Em 31Maio64, assumiu a responsabilidade completa do referido sector com sede em Farim, que abrangia os subsectores de Cuntima, Jumbembem, Bigene e Farim e a partir de 29Jun64 o de Binta, então criado.
Em 25Mar65, instalou forças para ocupação da povoação de Canjambari no sector, tendo as suas subunidades ficado, integradas no seu dispositivo e manobra do Batalhão, a partir de 31Mai64.
O Batalhão continuou a desenvolver assinalável actividade operacional de reconhecimentos, emboscadas, batidas, abertura e protecção dos itinerários e acções sobre grupos inimigos.
Destacam-se, pelas baixas causadas e pela captura de bastante armamento e outro material, as operações “Jocoso”; “Vouga” e “Invento”, entre outras.
Dentro do armamento capturado mais significativo, destaca-se: 1 metralhadora ligeira, 19 pistolas-metralhadoras, 36 espingardas, 10 minas e 9145 munições de armas ligeiras.
Em 15Jun65, foi rendido no Sector 02 pelo BArt 733 e recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso, tendo ainda destacado nesse período alguns efectivos das suas subunidades para segurança e protecção dos meios de travessia do rio Cacheu, em S. Vicente.
HISTÓRIA DO BCAV 490 – Breve resumo
1 Formação
Em Fevereiro de 1963, o comando do Batalhão frequentou um estágio de guerra subversiva no CIOE, em Lamego, a que se seguiu durante quatro semanas a Escola Preparatória de Quadros no RC 3.
16 Abril: início da Escola de Recrutas no RC 3, com a duração de 7 semanas.
2 Julho: gozo da licença do pessoal com a informação de que o Batalhão iria ser mobilizado para Moçambique. Com a licença ainda a decorrer recebem a notícia de novo destino: Guiné.
14 Julho: reunião de todo o pessoal em Estremoz e preparativos para rumarem a Lisboa.
16 Julho: despedida do Batalhão, com missa campal seguida de desfile.
Deslocação em formatura para a estação dos C. F. de Estremoz, onde embarcou às 24h00 com destino a Alcântara Cais, onde chegou às 07h00 do dia seguinte.
17 Julho: formatura de todas as unidades prontas para o embarque, com revista pelo Brigadeiro Ribeiro de Carvalho, Director da Arma de Cavalaria.

