RECORDANDO MARIA KEIL por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

No meu registo de nascimento, para além da assinatura de minha mãe, constam as de, como padrinhos, Francisco Keil do Amaral e Maria Pires Keil do Amaral. Para além da relação biológica, outra afectiva nascia ali.

Pensar na Maria Keil pode ser lembrar-me de:

 

– as bolas de Berlim que comíamos quando íamos de sua casa às fábricas de cerâmica no Arco Cego, para supervisionar os azulejos para o Metropolitano;

como me ensinou a apreciar ervilhas com ovos que me servia em grandes tijelas;

– a minha boneca preta, a Miudinha, da qual já aqui falei (http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1290174.html);

– a escultura de João Cutileiro, representando uma mulher a despir-se, que havia na sua sala. Uma semelhante viria a encontrar no consultório de João dos Santos;

– a forma linda com que desenhou as figuras de meninas dos contos de minha mãe, entre as quais  estou (qual delas serei eu?);

– o espanto que me provocava a sua casa de Nª Srª da Rocha, com a máxima simplicidade  (sem camas e com colchões sobre “bancos” nas paredes que se abriam e faziam de armários);

– as fantasias de contos de fada que partilhei com minha prima São, quando dormimos na casa de Canas de Senhorim, numa cama de dossel;

– o bacio de loiça onde ela pintou a família Castilho e que era usado para servirmos a mousse de chocolate;

– o seu riso agarotado quando fazia ou dizia malandrices;

– a surpresa de saber que tinha sido ela quem me enfarinhara o carro quando me casei;

– uma tarde na Arrábida, na companhia de Julieta Gandra, a comermos fatias de melancia;

a forma como desenhou minha mãe, em quadro que me acompanha o dia a dia.

 

Saudades. Dela. De mim. Obrigada, Maria.

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