Diário de bordo de 19 de Junho de 2012

 

 

Está reunido na Cidade do México o G20, grupo que reúne as 19 economias mais poderosas e emergentes e a União Europeia. No  primeiro dia foi lançado um apelo à Europa para que reveja a política orçamental à luz da crise económica que a afecta. Para os Estados Unidos e para os países emergentes é forçoso que a UE faça um esforço maior nas políticas de crescimento económico e de criação de emprego. Etc., etc. Tudo muito óbvio. A dúvida que nos assalta é –  este G20 tem algum significado real? Não fará parte de um cenário criado para ocultar a realidade? Países emergentes? O que é isso? Se há países emergentes, também há países submergentes? 

 

Estas reflexões são suscitadas por um artigo que nos chegou às mãos onde se revela com abundante argumentação a existência de um G30  (Group of thirty) que, a acreditar nessa argumentação de quem escreve, é bem mais poderoso do que aquele que reúne no México. Conselheiros dos poderes fácticos, as suas decisões modelam a realidade que vivemos. O poder dos estados, emergentes ou submergentes, seria menos do que teórico. Entre os trinta nomes há surpresas, como as de um prestigiado guru dos movimentos de indignação que têm agitado o mundo. Tudo o que se diz no documento faz sentido. Tudo, fazendo muito sentido, mas tudo podendo ser classificado como «teoria da conspiração».

 

Nineteen Eighty-Four, de Georges Orwell, descreveu o quotidiano de um regime totalitário, mostrando como uma sociedade oligárquica e repressivamente colectivista pode destruir quem a ela se oponha. A «teoria da conspiração» enquanto formulação teórica, constitui uma das peças chave do  pensamento único e do politicamente correcto – a arma conceptual que permite ridicularizar quem detecta conspirações. chegando a fazer acreditar que é mentira a conspiração que deveras faz.

 

De certo modo, cumpriu-se a profecia de um futuro que em 1948 George Orwell previa para 1984, De uma forma muito mais sofisticada, porém. Orwell utilizou a experiência do nazi-fascismo e do estalinismo para conceber esse futuro em que o mundo se transformaria num cárcere, em que a própria palavra se submeteria ao rigor carcerário da novilíngua. Onde o passado seria reconstituído permanentemente, impedindo a própria liberdade de recordar. 

 

Não sabia que a própria ilusão da liberdade podia ser uma cela à prova de fuga. Que o nazismo e todos os totalitarismos eram formas arcaicas de cercear a liberdade – não sabia Orwell, que a democracia se podia transformar no seu oposto e que, em nome de valores democráticos, se podia erguer uma oligarquia feroz, desumana, onde todas as injustiças se cometem em nome da liberdade.

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