Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
1.Bankia, o banco que neste momento está com problemas
Bankia, o quarto banco espanhol, em causa, inquieta. Com 303 mil milhões de euros de activos, é o banco mais exposto ao sector da construção. Tornou-se assim a primeira agência de imobiliário da Espanha.
Nasceu da fusão de cinco caixas de poupança, incluindo Caja Madrid e Bancaja, Bankia é presidido pelo antigo Director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato. Com uma taxa de créditos incobráveis na ordem dos 7,63% e de créditos aos promotores de valor global estimado entre 30 e 40 mil milhões de euros, este banco foi, em 2010, enquanto Caja Madrid, uma das primeiras entidades financeiras a ter recorrido à ajuda do Estado através do Fundo de reestruturação bancária (FROB), que lhe concedeu um empréstimo de 4.4 mil milhões de euros.
“Com os seus activos imobiliários, os seus créditos concedidos aos promotores, os terrenos que detêm, as suas hipotecas a taxas variáveis, este banco transformou-se num banco problema”, resume o economista Manuel Romero da IE Business School.
O seu caso não é isolado. Mas, por causa da sua dimensão, este banco inquieta mais do que nenhum outro. Estará este banco em condições de lidar com uma queda do imobiliário, com uma nova recessão, ou com o aumento das dívidas não cobráveis?
Aumentar as provisões
Para equilibrar as contas das entidades espanholas, que detêm cerca de 320 mil milhões de euros em activos relacionados com a promoção imobiliária – incluindo 176 mil milhões “problemáticos”, de acordo com o Banco de Espanha – o governo obrigou-os, em Fevereiro, a aumentar as suas provisões em função dos seus activos imobiliários.
Eles terão que colocar de lado quase 50 milhões de euros este ano ou em dois anos se procedem a novas fusões. Desde Fevereiro, as aproximações têm, contudo, recomeçado. O banco BBVA absorveu Unnim, Unicaja deu origem a uma fusão com Caja España-Duero e mais recentemente, CaixaBank aliou-se com Banca Civica.
Mas Bankia nem sempre encontrou parceiros. No entanto, de acordo com o seu Presidente. Rato, este banco terá necessidade de 5 mil milhões de euros de provisões suplementares. “Se faz provisões este ano, será difícil não apresentar perdas significativas”, observa o economista Manuel Romero.
Para o economista-chefe de Intermoney, José Carlos Diez, o sector terá necessidade de ajudas suplementares. Mas ele relativiza: “Somos um dos países que menos dinheiro terá já injectado no sector bancário”, disse ele.
Entre os 81 mil milhões de avales dados pelo Estado e os 30 mil milhões de ajudas directas, são quase 110 mil milhões de euros que foram trazidos para os bancos espanhóis desde o início da crise. Na situação económica e financeira, o país dificilmente pode fazer mais.
Sandrine Morel, la banque à problèmes du moment, Le Monde, 29.03.12
