A MÚSICA NA POESIA E NA PINTURA – III por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuando a junção de um quadro com uma poesia, hoje fica  Sophia de Mello Breyner Andersen com Mário Eloy.

 

 

A música do ser

Povoa este deserto

Com a sua guitarra

Ou com harpas de areia.

 

Palavras sibiladas

Vêm uma a uma

Na voz da guitarra.

 

A música do ser

Interior ao silêncio

Cria seu próprio tempo

Que me dá morada.

 

Palavras sibiladas

Unidas uma a uma

Às paredes da casa

 

Por companheira tenho

A voz da guitarra

 

E no silêncio ouvinte

O canto me reúne

De muito longe venho

Pelo canto chamada

 

E agora de mim

Não me separa nada

Quando oiço cantar

A música d ser

Nostalgia ordenada

Num silêncio de areia

Que não foi pisada.

 

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN

 

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