Continuando a junção de um quadro com uma poesia, hoje fica Sophia de Mello Breyner Andersen com Mário Eloy.
A música do ser
Povoa este deserto
Com a sua guitarra
Ou com harpas de areia.
Palavras sibiladas
Vêm uma a uma
Na voz da guitarra.
A música do ser
Interior ao silêncio
Cria seu próprio tempo
Que me dá morada.
Palavras sibiladas
Unidas uma a uma
Às paredes da casa
Por companheira tenho
A voz da guitarra
E no silêncio ouvinte
O canto me reúne
De muito longe venho
Pelo canto chamada
E agora de mim
Não me separa nada
Quando oiço cantar
A música d ser
Nostalgia ordenada
Num silêncio de areia
Que não foi pisada.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN


