por Rui Oliveira
Para os amadores de jazz e outras músicas alternativas, a semana tem o ritmo usual.
Na Terça 26 de Junho, o Ritz Club faz, às 22h, o roteiro do jazz na Lisboa dos anos 20 a 50 com a participação do investigador e ensaísta João Moreira dos Santos e Maria Anadon (voz) e Victor Zamora (piano).
Na mesma Terça 26, no bar Vinyl – Lado B, às 22h, actua o português Loose Canon Quartet do saxofonista Alexandre Simões com Diogo Duque trompete, João Rato guitarra e Diogo Santos piano com um reportório dedicado aos temas clássicos, standards e canções compostas maioritariamente para os filmes da Broadway, estilo swing e bebop.
No mesmo Vinyl – Lado B, às 22h de Quarta 27 de Junho, actua o Tempus, um quarteto com raízes na música erudita e totalmente descomplexado na interpretação de temas de jazz, pop e world music que é constituído por dois violinos (Otto Pereira e António Jorge Nogueira), uma viola d’arco (Sandra Raposo) e um violoncelo (Carlos Costa).
Também a 27 de Junho (Quarta), num Concerto Antena 2 no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), às 19h, o Quinteto Joana Espadinha (Joana Espadinha voz, Júlio Resende piano, João Firmino guitarra, Francisco Brito contrabaixo e Luís Candeias bateria) oferece um jazz mais lírico que foge do mainstream, com influências de rock e da música popular brasileira, revisitando clássicos de Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros.
Ainda em 2010, assim cantava Joana Espadinha com João Firmino o tema “Sem Fantasia” de Chico Buarque :
Ainda nessa Quarta 27 de Junho, às 22h, na Igreja de St. George (ao Jardim da Estrela), a cantora americana pop Julia Holter vem pela primeira vez a Portugal, cerca de um ano após a edição do álbum “Tragedy”, considerado como “um dos capítulos mais intrigantes da feitura pop contemporânea”. Contudo, o seu mais recente “Ekstasis” tem revelado todo “um lado de luminosidade impressionista até então mais resguardado, por opção e atraente para quem a escuta, não tanto pela paisagem espectral definida anteriormente, mas pelo exotismo esotérico das suas canções ilustradas por referências possíveis a Laurie Anderson ou Kate Bush” (dizem os críticos).
Mostramos-lhe deste último “Our Sorrows” :
Já na Quinta 28 de Junho e na Sexta 29 de Junho, os habitués do bar Ondajazz poderão, sempre às 22h30, ouvir dois espectáculos diferentes.
Na Quinta o Khalil Ensemble (Alexandre Pedro percussões, Daniel Romeiro flauta e José Tavares oud) e uma bailarina em “O Oriente aqui” interpretam fragmentos da obra do compositor contemporâneo libanês Rabib-Abou-Khalil , cujos temas consideram “fragmentos arqueológicos musicais” orientais que se encontram igualmente no seio da identidade cultural portuguesa − pois deixada pela ocupação muçulmana, sobreviveram até hoje, nos cantares populares portugueses (sobre tudo no Alentejo e Beira-Baixa), muitos fragmentos de melodias e ritmos trazidos pela cultura árabe.
Eis o registo dum dos seus temas :
Entretanto na Sexta 29 de Junho volta ao Ondajazz uma das suas imagens de marca, o conjunto Havana Way, formação cubana criada pelo pianista Victor Zamora, com Yanier Martinez voz, Michele Ribeiro teclados, Leo Espinoza contrabaixo, Hector Marques bateria e Osbardo Pegudo percussões. Ter-se-á a fusão do jazz com as cores latinas da salsa e do merengue.
Também de Quinta 28 a Sábado 30 de Junho o palco do Auditório do Instituto Franco-Português recebe, às 21h30, com entrada livre (com reserva) “FOLIE’S’BOA”, um espectáculo da companhia os Artistas Anónimos numa encenação de Philippe Fialho, inspirado no Music-Hall parisiense “com um cheirinho de cabaret americano e muita canção francesa… Piaf, Brel, Barbara… E também Voulzy, Hardy, Benabar…” (como se anuncia).
Os arranjos musicais são de Sebastien Dubourg, executados pela pianista Rita Namorado. Interpretam Michael Gaspar, Guida Palma, Ana Cunha, Michael Djian, Paulo Gonçalves, Rocio Keuroghlanian, Camille de Leobardie, Ana Maria, Carlota Mourão, Estelle Picard e Hugo Silva.
No Domingo 1 de Julho, o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém recebe às 19h em “Stanley Jordan and Friends”, pela primeira vez em Portugal, “considerado um dos mais importantes músicos e guitarristas do séc. XX”, Stanley Jordan, cujo último álbum, “Friends”, foi lançado em 2011. Esta “personalidade musical camaleónica, imaginativa, versátil e ousada” − “Disco de Ouro” nos EUA e no Japão em 1985 com o seu álbum “Magic Touch” − terá como convidado, em palco, o brasileiro Dudu Lima, “um dos melhores baixistas do mundo”, segundo Stanley Jordan.
Habib Faye, natural do Senegal, em estreia no nosso país, assegura a primeira parte da noite. Produtor, compositor, contrabaixista e mestre dos teclados, nomeado para um Grammy, vem ao CCB apresentar o álbum “H2O” (Odaras Productions).
Como curiosidade, ouça-se o eclético Stanley Jordan tocando o Concerto para Piano nº 21 de Mozart (incluido no seu álbum State of Nature) no Lincoln Center em 2008 :
Nos tempos seguintes, alguns marcos poderão (e deverão) ser interessantes :
Ainda no Centro Cultural de Belém a 4 de Julho, às 21h no seu Grande Auditório, o trio de McCoy Tyner piano (com Gerald Cannon contrabaixo e Montez Coleman bateria) e Ravi Coltrane saxofone (filho do lendário John Coltrane com quem Tyner tocou durante parte da década de 60) apresentam-se juntos, duas gerações do jazz num concerto que promete uma noite memorável !
Eis parte dum concerto com o saxofonista Gary Bartz no conhecido Blue Note em Agosto de 2011 :
Na véspera 3 de Julho, no mesmo Auditório do CCB, às 21h, António Chainho, mestre da guitarra portuguesa, apresenta “Entre Amigos − Ao vivo no CCB”, o seu mais recente projecto que mais tarde será uma colectânea de parcerias realizadas com cantores e músicos seus amigos. São aqui convidados Adriana Calcanhotto, Camané, Fernando Alvim, Rao Kyao, Ana Sofia Varela, Marta Dias, Filipa Pais, Isabel Noronha e Ana Vieira.
Mais tarde, a 19 de Julho, assinale-se a vinda ao Ondajazz, às habituais 22h30, em estreia nacional, da cantora de jazz canadiana (de Vancouver) Tammy Weis onde certamente divulgará o seu último álbum “Legacy” (2004).
Veja-se uma sua actuação ao vivo em 2008 :
Por último, aos amadores, restam os festivais de jazz. Dois se destacam nesta altura e área.
Um, o “EDPCOOLJAAZ 2012”, regressa a Oeiras e decorre de fim de Junho a fim de Julho (ver a programação integral em http://www.cooljazzfest.com/index.html ). Trará ao Jardim Marquês de Pombal (excepto o 1º concerto no Parque dos Poetas), sempre às 21h, artistas como Sting (a 29/6), a Orquestra Buena Vista Social Club c/Omara Portuondo a par da revelação soul britanico-ugandesa Michael Kiwanuka (a 4/7), o cantor lendário de jazz Al Jarreau (a 8/7), os dois jovens talentos do jazz norte-americano Lizz Wright e Raul Midón, antecedidos no palco pela portuguesa Elisa Rodrigues (a 19/7), o cantautor espanhol que incorpora o flamenco Pablo Alborán acompanhado de Carminho com quem gravou recentemente no CD “En Acústico” (a 21/7) e por fim (a não perder !) a Pat Metheny Unity Band, a nova formação do célebre guitarrista de jazz com Chris Potter saxofone, Ben Williams contrabaixo e António Sanchez bateria com quem gravou o recente “What It’s All About” (a 22/7).
Por serem nomes menos conhecidos, revelamos em seguida o tema Home Again do cantor soul Michael Kiwanuka :
bem como o tema My Heart da norte-americana Lizz Wright :
e ainda o dueto Pablo Alboran/Carminho no seu Perdóname de álbum “En Acústico” :
O outro é o “inevitável” “JAZZ em Agosto 2012” – o outro lado do jazz, de 3 a 12 desse mês. São múltiplos os focos de interesse, descritos pelo seu director artístico Rui Neves :
“No Anfiteatro ao Ar Livre, palco principal, iniciando a sequência, Sunny Murray, o primeiro baterista do freejazz e também primeiro companheiro de Cecil Taylor e Albert Ayler, renova a identidade no trio que cultiva há dez anos com acólitos ideais, os britânicos John Edwards e Tony Bevan. A nova geração do jazz britânico, evidenciando energia, consubstancia no Quinteto Led Bib uma contagiante combinação de mundos musicais paralelos. No encontro de Misha Mengelberg e Evan Parker, em pessoalíssimo diálogo, a sua estatura de criadores de linguagem augura os melhores presságios. Matthew Shipp em novo trio atinge uma decisiva dimensão de criatividade em simbiose com Michael Bisio e Whit Dickey. Em mais uma fórmula de duo e noutro diálogo muito pessoal, Marilyn Crispell e Gerry Hemingway revelam profundas sensibilidades em poderosas e/ou delicadas conjunções. O Sexteto de Chicago de Ingebrigt Håker Flaten em ponte norte-atlântica é uma forte expressão colectiva onde, num escol de músicos, brilham individualidades.
Mas a melhor apresentação é a sonora neste vídeo da Fundação Gulbenkian :
Uma derradeira nota nesta onda festiva para lembrar que :
− A programação Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian muito voltada para uma atenção ao Verão Árabe engloba, entre as iniciativas que já anteriormente divulgámos (ver www.proximofuturo.gulbenkian.pt ), diversos concertos apelativos, a saber –
a) a 29 de Junho (Sexta) no Teatro do Bairro, às 22h, cantam os Chelpa Ferro (Brasil) + Pedro Tudela (Portugal).
b) a 1 de Julho (Domingo), às 19h, no Jardim da FCG, o colectivo Pedro Carneiro apresenta Inuksuit com música de John Luther Adams.
c) a 7 de Julho (Sábado), às 19h, no Anfiteatro ao Ar Livre, toca a Med Fusion Orchester (Tunísia).
d) a 8 de Julho (Domingo), às 19h, no Anfiteatro, Kimi Djabaté (Guiné-Bissau) executa música tradicional mandinga.
− O encerramento das Festas de Lisboa’12 tem lugar na Alameda Dom Afonso Henriques no Sábado 30 de Junho com um concerto de entrada livre e início às 22h onde o intérprete central será o cantor brasileiro Mílton Nascimento que, celebrando relações da bossa nova com o fado, terá a seu lado os cantores Ana Moura, Carminho e António Zambujo.











