agenda cultural de 2 a 8 de Julho de 2012

 

 

 

 

por Rui Oliveira

 

 

 

   Tentaremos, para encerrar esta temporada cultural e como prometido, enumerar algumas das exposições de artes mais ou menos plásticas e outras mostras de assinalado interesse já em curso ou com abertura breve. Assim :

 

 

   Estará patente até ao dia 25 de Agosto no Museu Colecção Berardo localizado no Centro Cultural de Belém a exposição “O Novo Ofício /The New Trade comissariada por Pedro Gomes de O Filho Único, responsável por alguma da programação musical na cidade, a qual está previsto encerrar a 26 de Agosto. Organizada em duas partes, O Novo Ofício coloca em perspectiva uma série de trabalhos artísticos centrados primeiramente em música, transpostos para a realidade expositiva.

   No seu primeiro bloco, que integra uma selecção de obras a partir do final do século XIX,

 O Novo Ofício apresenta trabalhos que perfazem uma história paralela à produção artística em formatos aptos para o mercado das artes e do colecionismo. “Provenientes de vários vocabulários compositivos, unificadas pela singularidade e pureza da sua visão e concretização” – diz o catálogo – “esta secção retrospectiva agrega peças com distintas tipologias de execução, desde a performance e a documentação, à instalação musical e a artefactos activados ao longo do curso desta mostra”.

    Os artistas presentes no segundo bloco da exposição, composto por produções contemporâneas inéditas, são músicos. “Partindo em absoluto dessa arte como o seu eixo criativo, e através do amplo entendimento não só do seu ofício original como das possibilidades de extensão e de realização objectual, cénica e poética afectas à matriz do seu trabalho, progridem para um outro tipo de obra artística, que contempla um encaixe na morfologia arquetípica do espaço expositivo atual … E, acima de tudo, o objeto-música, calibrado para o universo museológico – o seu espaço e os seus intervenientes –, ganha uma nova vida”.  Trabalhos artísticos de valor museuológico e produções contemporâneas inéditas coabitam nesta colecção onde figuram obras de Erik Satie, Marcel Duchamp, Leon Theremin, John Cage, Lou Reed, Alvin Lucifer, Excepter, Jandek ou Black Dice.

 

                  

 

 

 

   No Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado inaugurou-se há dias a exposição “O Modernismo Feliz : ART DÉCO em Portugal – Pintura; Desenho; Escultura, 1912-1960 comissariada por Rui Afonso Santos, a qual perdurará até 28 de Outubro.

   Diz o seu catálogo : “O estilo Art Déco, designação que só surge nos anos 60, ou Estilo 1925, como também é conhecido (em apropriação da designação da magna Exposição das Artes Decorativas e Industriais Modernas realizada em Paris naquela data), conhece, num contexto actual de crise, um renovado interesse mundial.

   Congregando, eclética e decorativamente, as heranças das vanguardas artísticas dos começos do século (do Fauvismo, Cubismo, Futurismo, Expressionismo e, até, do Abstraccionismo) aliadas a sugestões vindas dos Movimentos Decorativos Modernos …, o Art Déco foi o primeiro estilo global e universal que o Mundo conheceu, aspirando a constituir-se como Arte Total …, alargando-se a todas as expressões artísticas e a todos os aspectos da vida quotidiana e expandindo-se, ao longo dos Anos 30, dos horizontes franceses ao resto da Europa, Estados Unidos, América do Sul, África, China, Austrália e Japão. A promessa estética de felicidade nele contida, antídoto contra o trauma da I Guerra Mundial, foi também paliativo contra a crise económica dos Anos 30, e o movimento perdurou até à II Guerra Mundial.

   Em Portugal, o Art Déco projetou-se, igualmente, com excelente pujança … e o próprio Estado Novo viu neste Movimento um veículo eficaz de propaganda e afirmação de poder.

 A efemeridade do ‘Futurismo’ português … fez do Estilo Art Déco uma fonte de oposição ao apreciado naturalismo oitocentista e, como tal, o garante generalizado da sobrevivência do próprio Modernismo, perdurando em Portugal até cerca de 1960.

    A presente exposição … permite uma releitura renovada e inovadora do nosso fenómeno Modernista, e, maioritariamente, daquele gosto que, originalmente, se estendeu do domínio do desenho às restantes expressões artísticas ditas ‘maiores’, como a Pintura, a Escultura e a Arquitetura, mas também ao grafismo e publicidade, à cenografia, ao cinema, às artes da decoração e, finalmente, à própria vida quotidiana e suas aspirações modernas de cosmopolitismo e felicidade”. 

 

 

       

 

 

 

 

   Na Sala do Tecto Pintado do Museu Nacional de Arte Antiga encontra-se desde há dias exposto integralmente pela primeira vez, após um restauro total que demorou vários anos, o Tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia, “um dos mais importantes conjuntos da sua colecção de pintura flamenga” que aí ficará até 16 de Setembro.

   Graças às técnicas de reflectografia tornou-se possível conhecer o desenho subjacente à pintura, comprovando, através de estudos comparativos, a atribuição do trípitico a Jan Provoost (Mons, 1462/5 – Bruges, 1529), um dos mais importantes pintores renascentistas da Flandres, Cavaleiro do Santo Sepulcro, amigo íntimo de Dürer (e por ele retratado duas vezes), atribuição essa apoiada há mais de um século − desde 1905 pelo historiador Eberhar von Bodenhausen e pela maioria da crítica nacional e internacional.

    A exposição revela ainda dois elementos essenciais sobre esta obra, adquirida em 1876 pela Academia Real de Belas-Artes a Agostinho de Ornelas, diplomata originário da Madeira. Pode ler-se no recibo desta transacção que a pintura provém da Capela de São João de Latrão, na Madeira, e não da Misericórdia do Funchal, como supunha a historiografia oficial.

    A iconografia das representações principais do tríptico respeita as vontades expressas no testamento do rico mercador e produtor de açúcar, Nuno Fernandes Cardoso, e de sua mulher, Leonor Dias, que terão mandado edificar a Capela de S. João de Latrão, em 1511, nas suas terras de Gaula. O mesmo documento permite datar a encomenda da pintura entre 1512 e 1515, tornando este tríptico na mais antiga obra documentada de Jan Provoost (!).

   Há visitas orientadas à Quarta-feira e ao Domingo.

 

 

    

 

 

   Na Nave do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Gulbenkian, a exposição “Entre Espaços/Between Spaces reúne até 26 de Agosto mais de duas dezenas de obras da sua colecção produzidas entre 1968 e 2011 e tem como curadores Isabel Carlos, Patricia Rosas e Rita Fabiana.

   A mostra estabelece um diálogo com a exposição Entre/Between de Antoni Muntadas (já noticiada no Pentacórdio), que ocupa parte da nave e o piso 01 do CAM que o visitante atravessa necessariamente antes de Entre Espaços, criando um jogo constante entre o espaço arquitetónico do CAM e o espaço físico das obras.

   Apresenta trabalhos de escultura, fotografia, instalação, pintura e vídeo “que sugerem (como diz o catálogo) a presença de um espaço indeterminado ou indefinido, um intervalo entre linhas, planos, margens, corpos, territórios, espaços “entre” que deixam em aberto acções, acontecimentos, narrativas, afirmando-se como espaços de possibilidade ou de potenciais encontros, por vezes deceptivos ou inconclusivos”.

   Integram a exposição obras de Helena Almeida, Vasco Araújo, Fernando Calhau, Rui Chafes, Didier Fiuza Faustino, Armando Ferraz, João Paulo Feliciano, Fernanda Fragateiro, Ana Hatherly, Tim Head, Marina Mesquita, Bruno Pacheco, Vítor Pomar, Rui Sanches, Pedro Cabral Santo, Pedro Campos Rosado, Julião Sarmento, Noé Sendas, Augusto Alves da Silva, Ana Vieira, Jane & Louise Wilson, algumas delas recentemente adquiridas para a coleção do CAM.

        

 

 

 

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