O Tiago Pereira, acompanhado pela Rosa Pomar andam pelas terras da freguesia de Bucos (Cabeceiras de Basto) a filmar as mulheres que transformam a lã de forma integralmente artesanal. É na Casa da lã que se reúnem. Numa terra em que ainda podem ver casas com cobertura de colmo, espigueiros e um forno comunitário. As mantas de pisão, as colchas, as meias e os capuchos de burel, comprovam o importante papel desempenhado pelo artesanato, nomeadamente das confeções em lã. O tradicional “Jogo do Pau” é mantido vivo através de uma escola para o ensino do mesmo.
No site http://saberfazer.org/#Mulheres-de-Bucos o processo é-nos explicado. E transcrevemos:
“1.A lã
Tosquiada, lavada, carmeada, cardada, fiada, tecida e tricotada integralmente à mão. Ainda sem recurso a técnicas de tingimento, a lã é apenas usada nas suas duas cores naturais – o branco e o castanho – sendo transformada em vários peças, desde meias tricotadas à mão a écharpes tecidas em teares manuais.
2. As ovelhas e a tosquia
Quando falamos com quem trabalha a lã, esta é sempre distinguida em apenas dois tipos: a lã brava e a lã.
Actualmente, a tosquia faz-se apenas uma vez ao ano, em Maio. Quem tem pequenos rebanhos, além de fazer a tosquia à mão, costuma utilizar tesouras comuns, das mais compridas e bem afiadas. O velo da ovelha é cortado continuamente e deixado no campo para ser escolhido pelas mulheres que trabalham a lã – nem toda será levada para ser trabalhada, apenas a melhor.
3. A lavagem da lã
4.Carmear e cardar
Depois de cortada e lavada, a lã é preparada para poder ser fiada.
5. Fiar e torcer o fio
O vídeo intitulado “Lã em tempo real” é “um projecto audiovisual híbrido em que se encontram a pesquisa e documentação de Rosa Pomar, em torno do ciclo tradicional da lã e dos lanifícios em Portugal, e o trabalho de Tiago Pereira, que funde documentário e arquivos com práticas de vídeo em tempo real.
Pretende-se a partir do registo documental do fundo cultural de uma região, com particular relevo para o que podemos qualificar como património incorpóreo, imaterial – a tradição oral e dos processos envolvidos no ciclo da lã – produzir uma reflexão sobre um património pouco explorado artisticamente, bem como os conceitos culturais de tradição e contemporaneidade” (Vimeo, 2012).


