EM COMBATE – 111 – por José Brandão

 

 

 

IMPRECISÕES – RECTIFICAÇÕES
 

(PARTE I )

A História de um acontecimento, é um recheio de várias situações, que nos contam para a posteridade a verdade e realidade nua e crua daquilo que se quer descrever.

 

A História é um relato dos vários sucessos e insucessos militares de uma Instituição (neste caso a CArt 1688) inseridos nas acções militares de uma nação (PORTUGAL), num determinado tempo ou numa determinada época.

 

Por vezes, quem os narra, por descrição à distância (quase 30 anos) nem sempre escreve a total realidade com total isenção.

 

Não fui, nem sou historiador, mas confrontando algumas leituras que tive oportunidade de ler recentemente, verifico, que nem tudo que nos é apresentado corresponde à total veracidade dos factos.

 

Quer concordando ou não com a decisão governamental daquele tempo, não me envergonho de ter servido a Pátria no contexto que se vivia na década de 60.

 

Não sei se fui bom militar, nunca quis ser herói, sempre procurei cumprir a ordens superiores, por vezes discutindo-as, mas acima de tudo procurei que todos os homens que compunham a CArt 1688, merecessem a minha amizade e eu a deles. Julgo que o consegui.

 

No entanto, vejo-me obrigado a repor algumas verdades relativamente aos textos que tive oportunidade de ler:

 

1º – O desembarque do “Uíge” para Bissau (Para o Aquartelamento designado por 600) terá sido feito de dia, atravessando a cidade, sem armas – as quais nos foram distribuídas no dia 2 de Maio de 1967 e experimentadas na Carreira de Tiro, em Bissau, no dia 4 de Maio.

Não houve, tanto quanto me lembro, de ter atravessado a cidade de armas apontadas e
prontas a disparar.

 

Se estiver errado aceito a rectificação.

 

2º – O meu Pelotão (o 3º) foi o primeiro a chegar a BULA a 5 de Maio de 1967, depois de atravessar o Rio Mansoa em João Landim.

 

O 3º Pelotão foi o primeiro da Companhia a fazer fogo real, tendo o seu baptismo de fogo acontecido em 18 de Maio na Operação BRIGÃO – patrulhamento à zona do QUERÈ.

 

3º – A permanência em BULA, durou cerca de 1 Mês, e serviu para a Companhia, efectuar o seu treino operacional, no verdadeiro cenário de guerra. Nunca esta Companhia poderia ser considerada de intervenção neste período, pois não detinha experiência para tal.

 

Lembro-me como se fosse hoje, das palavras do comandante do Sector de Bula, no discurso de despedida da Companhia, – tudo ter feito para que esta nossa estadia tivesse tido outros resultados, pois pretenderia que tivéssemos tido mais contactos para ganharmos mais experiência.

 

4º – Não foram os furriéis mais antigos nomeados para vir à Metrópole representar a Companhia nas cerimónias do 10 de Junho a receber a Cruz de Guerra de 1ª Classe.

 

A verdade foi que, os furriéis reuniram, quando tiveram conhecimento de que iriam à Metrópole dois deles, e decidiram indicar ao Comando o nome do Furriel Enfermeiro Gomes.

 

O outro furriel, o Silveira, que se encontrava, salvo erro em Bissau, de férias, recebeu ordens para embarcar para a Metrópole para as cerimónias.

 

O nosso comandante, pretendia que quem viesse ao 10 de Junho, acumulasse com o período de férias, o tempo dedicado às cerimónias.

 

O Silveira, foi apanhado em Bissau de Férias; o outro, como o Gomes não foi aceite, julgo que foi contactado o furriel Simões, porque teria férias nesse período. O Simões recusou;

 

A seguir na escala de férias estava eu, que contactado recusei também. Tudo isto se passou durante o dia 24 de Maio de 1968.

 

Na noite de 24, pelas 22 horas voltei a ser pressionado pelo capitão e pelo Alferes Baptista, tendo acabado por aceitar, sem que antes tivesse procurado reunir com os restantes furriéis dando-lhes conta da decisão que estava a ser tomada.

 

Na manhã do dia 25 pelas 10 horas, em coluna auto deslocámo-nos de Biambi para Bissorã (Creio que foi a primeira coluna auto de Biambi para Bissorã). Ainda fomos flagelados durante a viagem.

 

Os furriéis que vieram à Metrópole, (eu e o Silveira) não foi porque fossemos os mais velhos mas sim porque interessava à Companhia.

 

O Silveira, como tinha ido de Bissau num embarque isolado regressou sozinho após as cerimónias.

Eu, o Alferes Baptista e o 1º Cabo Bernardo regressámos a Bissau apenas em 25 de Julho.

 

Em Março de 1969 a CArt 1688 termina a comissão e regressa a casa.

http://afontedobiambi.blogspot.com/

 Publicada por Escrivão Mor

 

A seguir – Companhia de Caçadores 2402

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