Na Sala do Tecto Pintado do Museu Nacional de Arte Antiga encontra-se desde há dias exposto integralmente pela primeira vez, após um restauro total que demorou vários anos, o Tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia, “um dos mais importantes conjuntos da sua colecção de pintura flamenga” que aí ficará até 16 de Setembro.
Graças às técnicas de reflectografia tornou-se possível conhecer o desenho subjacente à pintura, comprovando, através de estudos comparativos, a atribuição do trípitico a Jan Provoost (Mons, 1462/5 – Bruges, 1529), um dos mais importantes pintores renascentistas da Flandres, Cavaleiro do Santo Sepulcro, amigo íntimo de Dürer (e por ele retratado duas vezes), atribuição essa apoiada há mais de um século − desde 1905 pelo historiador Eberhar von Bodenhausen e pela maioria da crítica nacional e internacional.
A exposição revela ainda dois elementos essenciais sobre esta obra, adquirida em 1876 pela Academia Real de Belas-Artes a Agostinho de Ornelas, diplomata originário da Madeira. Pode ler-se no recibo desta transacção que a pintura provém da Capela de São João de Latrão, na Madeira, e não da Misericórdia do Funchal, como supunha a historiografia oficial.
A iconografia das representações principais do tríptico respeita as vontades expressas no testamento do rico mercador e produtor de açúcar, Nuno Fernandes Cardoso, e de sua mulher, Leonor Dias, que terão mandado edificar a Capela de S. João de Latrão, em 1511, nas suas terras de Gaula. O mesmo documento permite datar a encomenda da pintura entre 1512 e 1515, tornando este tríptico na mais antiga obra documentada de Jan Provoost (!).
Há visitas orientadas à Quarta-feira e ao Domingo.



