O próximo governo deve recusar os termos do acordo de “resgate” – por Júlio Marques Mota

Nota de leitura

 
Face a um texto como o que abaixo apresentamos com o título O próximo governo deve recusar os termos do acordo de”resgate” claramente teremos a obrigação deconsiderar e dechamar ignorantes, maldosos, agentes de má face, criminosos mesmo, aos dirigentes europeus e uma ralé, os batedores das caçadas modernas e moralmente ilegais feitas à dignidade dos povos europeus, face aodestino trágico que estãoa querer criar para a Europa e para Portugal, também.

Desta ralé temos exemplos claros em Portugal:

-com a moralidade de um Passos Coelho, licenciado de tempos livres,com a moralidade deum Relvas, filho intelectual do neoliberalismo de Sócrates pois o primeiro é licenciado pela mais horrorosa Universidade que este último terácriado na companhia de Mariano Gago,a Universidade das Novas Oportunidades;

– com a moralidade de um Nuno Crato a aceitar que as Universidades públicas de agora se estejam a transformar noutras tantas Universidades das Novas Oportunidades Públicas;

– com a moralidade dos seus sequazes a procurarem que nenhum professor no Ensino Superior Público se desvie ou que cada um se coloque, custe à sua dignidade o que custar, na média das avaliações e das classificações aos alunos oferecidas que a esse objectivo nos há-de obrigatoriamente conduzir, traduzindo-se numa política de ensino superior que nada mais é do que a regressão para a média, com a média a descer cada vez mais;
-com a moralidade e a desfaçatez de um ministro do Ensino Superior e de todos os seus acompanhantes de projecto, que por esta mecânica nada mais estão a fazer do que levar os estudantes e o país a percorrer o caminho para a banalidade, para não dizer, que este nada mais é do que o caminho para a mediocridade;

-com a moralidade de um ministro da Saúde que deveria ser responsabilizado pelas mortes que a sua política suicida possa vir a criar em Portugal. Também este ministro está assim a validar a licenciatura de Relvas e está assim de acordo com todas as Universidades das Novas Oportunidades acima referidas, as de Sócrates e Mariano Gago, as de Passos Coelho, Nuno Crato e Relvas, as que os seus sequazes espalhados pelas diversas Faculdades querem agora à força generalizar, quando este Ministro da Saúde (ou da doença generalizada?) considera que os médicos, nas Faculdades de grande prestígio deste país formados, devem ser colocados em saldo e ao preço mais baixo e mais barato portanto que o trabalho de uma simples mulher a dias, sem nenhum formação especial. O mesmo é dizer que o mercado validaria uma formação científica abaixo do valor conferido a nenhuma formação especial, abaixo do valor conferido à formação académica da habitual mulher-a-dias, ou seja então, conferindo à formação das Universidades portuguesas de prestígio um valor negativo!

Com esta moralidade, nenhuma sociedade se pode construir com coveiros destes, aos quais se pode juntar neste momento também o actual Presidente da República pela sua passividade ou mesmo pela sua cumplicidade com a destruição do país que está assim a ser feita, coveiros estes que estão à frente dos comandos do poder que determina as linhas de rumo dos nossos destinos.

E boa leitura.

 

Coimbra, 6 de Julho de 2012

Júlio Marques Mota

 

O próximo governo deve recusar os termos do acordo  de  “resgate”- por Yanis Varoufakis, professor de economia na Universidade em Atenas

 

Segundo a opinião hoje generalizada, a Grécia deve, caso pretenda manter-se na   zona euro,  sujeitar-se aos  termos e às condições  acordadas aquando  do  seu “resgate”. Estou convencido de que a opinião comum é, mais uma vez, profundamente errada; que  a única opção realista que tem a Grécia para permanecer na   zona euro  é de pôr em causa os termos de seu acordo  de  “resgate”. Na realidade, isso poderia até ser a condição indispensável para a sobrevivência da própria  zona  euro.

 

1 – O Estado grego em falência levantaria em  meados de Maio passado, 4,20  mil milhões de euros no  fundo de

resgate Europeu (FSE) e depois, logo a seguir,  colocaria esta soma  no  Banco Central Europeu (BCE) afim de reembolsar os  títulos do governo grego que o BCE tinha adquirido anteriormente numa  tentativa fracassada de fazer subir o preço destes títulos. Este novo empréstimo aumenta substancialmente a dívida grega, mas garantiu um  lucro para o BCE  em  cerca de 840 milhões de euros.

 

 

2 – Na mesma semana, o  governo espanhol  sujeito a fortes dificuldades orçamentais injectava  grandes volumes de capital  nos bancos espanhóis. Ao mesmo tempo, para apoiar o governo de Madrid, o BCE concordou (à taxa de 1%) conceder significativos empréstimos aos bancos ibéricos, que iam, em seguida, “re-emprestá-los” ao seu salvador, ou seja, ao Estado espanhol, mas agora a taxas de juros que frequentemente ultrapassavam os 6%.

 

3. Assim, para que os governos  grego e espanhol  sejam  “autorizados”   a contrair empréstimos  nas somas envolvidas  e nas  operações descritas acima, o BCE e a Comissão Europeia exigiram deles que eles ajustassem  as  suas economias  através  de uma  selvagem redução de  despesas públicas,  o  que, com precisão matemática, iria reduzir o rendimento  nacional, sobre o qual ou a partir do qual devem ser obtidas as recitas para pagar os reembolsos  dos empréstimos, quer dos antigos quer dos mais recentes .

 

4- As taxas médias de juros  em vigor na zona euro são pelo menos superiores em 1,5%  às praticadas para os  países com elevados níveis de endividamento, como o Reino Unido.

 

A Chanceler alemã argumenta, com razão, que não podemos evitar a armadilha da dívida ao estar a acumular mais dívida ainda. No entanto, considerem   os factos 1, 2 e 4: eles constituem um típico caso da situação em que faz a adição da  dívida para ficar com mais dívida ainda; os Estados insolventes são forçados aqui a contrair empréstimos parareembolsarem oBanco Central que por sua vez  está  a emprestar   a bancos insolventes que  recebem  capitais dos  Estados entretanto insolventes  e ao mesmo tempo emprestam-lhes  uma parte do dinheiro que eles próprios levantaram por empréstimo junto  do Banco Central! Trata-se aqui de uma economia prudencial e austera a que um país como a Grécia deve   estar sujeito e então cumprir? Ou estamos nós a lidar com uma mecânica que se transforma em verdadeira loucura?

 

Que digam a verdade !

 

Este círculo vicioso deve absolutamente ser quebrado. Caso contrário, a zona euro vai acabar como a União Latina, por uma simples  nota no fim da página nos livros de história futura. Mas quem é que vai carregar  no  botão deste  “disjuntor”  salvador?  O Presidente Hollande  será   ele  capaz de o desencadear? Com toda a boa vontade posta de lado , o novo presidente   está preocupado pela situação das finanças públicas em França e pela acusação de que  a sua crítica da política de austeridade  seria uma “jogada” para obrigar a Alemanha a financiar as  “fábricas de gás” francesas.

 

É aqui que o próximo governo grego poderia entrar em cena e assumir o papel de curto-circuitar o sistema. Imagine o novo primeiro-ministro grego a fazer algo sem precedentes, de completamente inédito: diz a verdade!

 

Que ele se dirija aos nossos parceiros europeus, dizendo que, mesmo se cada homem, cada mulher e cada criança se esmague a respeitar os compromissos assinados pela Grécia em troca do  seu “resgate”, o rácio da dívida pública relativamente ao PIB permanece num  caminho necessariamente  explosivo que levará  à vergonhosa e criminosa saída do país da zona euro. E, em seguida,  que o primeiro-ministro declare  que a Grécia  não vai   contrair mais nenhum  um euro de empréstimo á  “Troika”, até que ou a menos que  um plano racional tenha  sido posto em prática; que este plano se deve aplicar a todos os países membros, em vez de se concentrar apenas  na Grécia  à custa da  Irlanda, de Portugal,  da Espanha, etc.; que, até que um tal  plano seja posto em prática , a Grécia  se esforçará  com os seus magros meios  em manter o seu lugar na zona euro, suspendendo temporariamente todo e qualquer reembolso aos seus credores. ..

 

Seja a Europaa ignorar este apelo grego à razão e ordena então ao BCE que abandone a Grécia ao seu destino ou escolhe europeizar os bancos em toda a zona  euro, escolhe europeizar  os  projectos de investimento e escolhe europeizar uma parte da dívida dos países membros através das   euro-obrigações.

 

Estou eu em condições depropor  que  a Grécia faça   chantagem contra  a Europa?  De modo nenhum. Depois, desde quando o dizer a verdade, desde quando, o recusar subscrever empréstimos que não estamos de modo nenhum em condições de poder vir a pagar seria chantagem? Ao adoptar esta posição fundada sobre princípios, a Grécia  estaria a  agir como um bom cidadão europeu e ofereceria aos seus líderes, como o Presidente Hollande,  uma formidável oportunidade para eliminar radicalmente  a gangrena  que actualmente   está a corroer  o corpo e a alma da Europa.

 

Traduzido do inglês por GillesBerton,  publicado em francês pelo jornal Le Monde a 24 de Maio de 2012.
Traduzido para português por Júlio Marques Mota
YanisVaroufakis é autor de The Global Minotaur (2011), sobre as origens da crise financeira .
YanisVaroufakis,é professor de Economia na Universidade de Atenas

 

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