“AVISO A TEMPO POR CAUSA DO TEMPO” ANTÓNIO MARIA LISBOA. Actualidade? Por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Declara-se para que se saiba:

 

1º que não apoiamos qualquer partido, grupo, directriz política ou ideologia e que na sua frente apenas nos resta tomar conhecimento: algumas vezes achar bom outras achar mau. Quanto à nossa própria doutrina, os outros hão-de falar.

2º que não simpatizando com qualquer organização policial ou militar achamo-las no entanto fruta e elemento exacto e necessário da sociedade – com quem não simpatizamos igualmente.

3º que sendo nós indivíduos livres de compromissos políticos  permaneceremos em qualquer local com o mesmo à vontade. Seremos nós os melhores cofres-fortes dos segredos do estado: ignoramo-las.

4º que sendo individualmente e portanto abjecccionalmente desligados das normas convencionais, temos o máximo regozijo em ver essas mesmas normas nos componentes da sociedade. Assim delas daremos por vezes testemunho e mesmo ensino.

5º que não somos assim contra a ordem, o trabalho, o progresso, a família, a pátria, o conhecimento estabelecido (religioso, filosófico, científico) mas que na e pela Liberdade, Amor e Conhecimento que lhe preside preferimos estes.

6º que a crítica é a forma da nossa permanência. Acreditamos que neste seis pontos fundamentais vão os elementos necessários para que o Estado, os Governos, a Política e a Sociedade nos respeitem; nós há muito que nos limitamos neles e neles temos conhecido a maior liberdade. Não se têm do mesmo modo limitado o Estado, a Polícia e a Sociedade e muito menos o seu último reduto: a família. A eles permaneceremos fiéis pois todo o nosso destino e não só parte dele a estes seis pontos andam ligados como homens, como artistas, como poetas e por paradoxo como membros desta sociedade.

In Poesia de António Maria Lisboa (texto estabelecido por Mário Cesariny de Vasconcelos), Assírio Alvim e Mário Cesariny de Vasconcelos, Lisboa 1977.

 

Notas ao texto:

 “Publicado a 1ª vez em folha copiografada distribuída por Completa em 1956 e data de Julho de 1953. Como este senhor tinha por costume assinar pelos autores sempre que as condições de ar livre o punham a isso, pode supor-se que a data sofresse o mesmo processo ou reflectisse a data de entrega. Primeira impressão no nº I da Revista “Pirâmide” editada por Máximo Lisboa e Carlos Loures em Fevereiro de 1959. Segunda impressão na antologia “SURREAL ANJECTION (ismo)”, edição Minotauro, 1963. Terceira impressão no caderno “Reimpressos cinco textos colectivos de Surrealistas em Português”, 1972.”

Acrescente-se que a seguir à ficha técnica vem escrito: “O editor não subscreve partes das afirmações e acusações produzidas neste volume pelo responsável da edição Mário Cesariny de Vasconcelos”.

 

Grupo Surrealista de Lisboa,
Portugal 1949. Na foto, da esquerda para a direita: Henrique Risques Pereira,
Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Cesariny,
Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa e Fernando Alves dos Santos. I
Exposição. dos Surrealistas,
Junho/Julho, 1949.

 

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