Renata Scotto, uma das maiores sopranos líricas do século XX, nasceu em Itália – Savona, 24 de Fevereiro de 1934. O seu virtuosismo técnico e a sua capacidade dramática, tornaram-na mundialmente famosa. Com apenas 18 anos, estreou-se no Teatro Nuovo de Milão no papel de Violetta, de La Traviata, de Verdi. Em 1953, estreou-se no La Scala na ópera La Wally, de Alfredo Catalani, ao lado de Renata Tebaldi e de Mario Del Monaco. Teve de vir quinze vezes ao palco para agradecer os aplausos.
Numa digressão do La Scala, em 1957, numa das crises da Callas, foi Renata Scotto que a substituiu em La sonnambula, de Bellini. A consagração mundial chegou em 1965 quando interpretou Cio-Cio-San em Madama Butterfly, de Puccini, em diversas actuações no Metropolitan Opera de Nova Iorque. A partir do final dos anos 80 começou o seu trabalho como directora de cena, retirando-se em definitivo dos palcos em 1991.
A ópera em quatro actos Otello, de Giuseppe Verdi, com libreto de Arrigo Boito, baseia-se no drama homónimo de William Shakespeare. É um exemplo acabado da blague com que Bernard Shaw sintetizou todos os entrechos operáticos – um espectáculo em que umA soprano e um tenor se amam e aparece um barítono que destrói este amor. O tenor Otello ama a soprano Desdémona, aparecendo o barítono Iago que, odiando Otello, com intrigas e mentiras, leva este amor a um desfecho trágico. A ópera foi estreada no Teatro La Scala de Milão, em 5 de Fevereiro de 1887. Em Portugal, a estreia foi no São Carlos, em 12 de Maio de 1889.
Vamos ouvir Renata Scotto na ária Ave Maria do IV acto, o seu “adeus à vida”.

