Vuelvo al Sur – Ethel Feldman

 

 

 

Ethel Feldman  Vuelvo al Sur

 

 

(Adão Cruz)

 

 

Dario tomou o poder com Regio, em Novembro de 2000. Desde então, o céu mudou de cor. No horizonte, ergueu-se um muro a esconder o infinito.

Bush invadiu o Iraque, enquanto Regio organizava as contas da Capela Sistina.

Faz tanto tempo! Não sei bem em que ano estamos. Dario impôs o esquecimento. Um dia avisou que para prosseguirmos caminho pagaríamos impostos.

Reza agora a lei que lembrar é proibido. Escondo a tristeza sob o véu preto que emoldura a minha cara.

Resisto esquecer.

This is the End
Dario anuncia novos impostos. A cada taxa anunciada seu falo cresce como o nariz de Pinóquio.
Regio sorri. Ninguém sabe se pagou todos os impostos. Ninguém visionou o seu percurso.
Bush, Dario, Regio e Osama jogam golfe todos os dias, num campo verde de mentiras, feito a dor que a gente sente.

Good morning sun shine
O povo rendido, esconde-se em casa. Brutti, sporchi e cattivi e o povo unido jamais será vencido!

É caro caminhar. Espero conseguir atravessar o Muro. Pedro tentou no ano passado. Clara contou que o viram acorrentado. No rosto, uma felicidade desconhecida.
Certamente chegou perto – sentiu a maresia.

Deus, segreda-me todos os dias qual a cor do mar de outrora. Não sabe qual a cor dele agora.

Queimaram os filmes e do mar só resta o som. Quadros, só reproduções em calendários de nylon.
Todos buscamos o mesmo mar. Nem Deus, sabe a cor dele agora.

Quem ainda se lembra, diz que Régio sempre foi um menino bem comportado. Fez tantas vezes de conta, que era feliz que foi colocado num programa de desintoxicação. Conheceu Dario na clínica. Desse romance nasceu o partido que hoje dita que amar é pecado.

Vuelvo al Sur
Te renego, Dario. Fodes-nos com Regio, todos os dias. Nosso povo virou plástico. Ao menor sinal de fogo, derrete!

Fiz tofu colorido de verde, engoli-o na esperança de guardar no meu corpo a do mar de outrora.

 

Abram a janela – quero ver o mar!


 

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