NO PORTO – ANIKI BOBÓ E ANIKI IN THE HOUSE – À VOLTA DE MANOEL DE OLIVEIRA por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O recente internamento do cineasta Manoel de Oliveira fez-me lembrar um belo filme do Tiago Pereira a que assisti em 2009 na Cinemateca – ANIKI IN THE HOUSE – e que aconselho se tiverem oportunidade. É esta a informação sobre a peça e o filme, resultado de um trabalho muito mais vasto, cuja história fui retirar ao programa da Casa da Música.

Sessenta e seis anos depois da rodagem de Aniki-Bóbó, a Casa da Música revisitou ou o mundo ribeirinho de Carlitos e Teresinha com um projecto comunitário que envolveu artistas profissionais, escolas e indivíduos sem formação especializada, sobretudo crianças e jovens, incorporando música, vídeo, dança e teatro. Pretendeu-se homenagear  Manoel de Oliveira pelo seu centenário, e assim nasceu uma peça original feita sobre um filme de referência do cinema português.

Este projecto permitiu desenvolver um trabalho contínuo, ao longo de vários meses, num tecido urbano tradicionalmente associado a situações de exclusão.

A historia, o local e as imagens do primeiro filme de ficção de Manoel de Oliveira foram sendo elementos a integrar numa peca original, conduzida por profissionais que vem cooperando de forma regular com a Casa da Musica – e o caso do violoncelista Ernst Reijseger, um dos mais ecléticos músicos da actualidade, com vasta experiencia de ensino e de orientação de diferentes grupos escolares.

Foram envolvidos na concepção desta obra musical alunos de varias escolas vocacionais, músicos profissionais e outros artistas, bem como elementos sem qualquer formação especializada, gente nascida nas zonas ribeirinhas. E esta foi talvez uma das maiores homenagens que se pode fazer a Manoel de Oliveira e a Aniki-Bóbó: levar para
o primeiro plano protagonistas da vida real.

  

O projecto contou ainda com a participação do coreografo, bailarino e percussionista António avares. À mega-equipa associou-se tambem o videasta, Tiago Pereira, que estabelecera paralelismos, através do registo de imagem, entre o filme de 1942 e a peça de 2008, bem como músicos, actores e bailarinos de varias proveniências
e idades. O projecto teve início em Janeiro de 2008 e contou com vários concertos Nasceu, desta forma, um novo olhar sobre um filme que ja conta 66 anos. Desta primeira abordagem, resultou um filme de Tiago Pereira, o qual poderá ser visionado em http://vimeo.com/916165. O cineasta mergulhou na cidade do Porto do século XXI, criando um diálogo singular entre o passado e presente, e descobriu o impacto que o filme do célebre realizador tem ainda hoje nesta cidade ao verificar a tendência de alguns portuenses se apropriarem, num inesperado fenómeno de identificação, das personagens principais do mítico filme de Manoel de Oliveira.

A cena em que Manoel de Oliveira dança no restaurante onde com ele conversaram é inesquecível.

 

 


  

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