TENTA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fui muitas vezes a Vila Franca de Xira, onde vivia a minha família materna. Ali conheci a Madalena, gorducha desengonçada, filha única de um comerciante muito rico. Os jovens gananciosos andavam sempre a arrastar-lhe a asa. Eu quietinho, patacos são patacos, formosura é formosura…

 

Consequências? De mim, a Madalena não descolava.

 

Num domingo a rapaziada armou uma tenta numa pequena praça de touros… melhor dizendo: num tentadero que fica na lezíria, entre Vila Franca e Porto Alto. Raparigas e rapazes fomos todos em vários automóveis. Elas plantaram-se no único e amplo camarote, a bater palmas e a rir das cornadas que nós, rapazes, levávamos lá em baixo, na arena. Felizmente os garraios estavam embolados, caso contrário até mortes poderia haver… À uma da tarde a tenta foi suspensa. Fomos todos, elas e nós, em direção aos automóveis. Nisto vejo um garoto de uns 12 anos, filho de um campino. Dou-lhe 25 tostões e peço-lhe uma graça. Desaparece, mas logo surge correndo e gritando:

– Fujam, fujam, vem aí um touro!

 Corremos todos para os carros. A Madalena tenta entrar num Anglia repleto mas não consegue, de fora ficam as suas pernas e o rabo. Começo a mugir a acerto três marradas naquele traseiro imenso. Gritos e mais gritos, borrou-se toda.

Nunca mais a Madalena quis namorar comigo, não sei porquê…
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