8. Estreia do filme “Morte em Veneza”, de Luchino Visconti; adaptado do romance homónimo de Thomas Mann, publicado em 1912, o filme tem como cenário a Veneza dos inícios do século XX, onde um solitário compositor de meia-idade (Dirk Bogarde) avista um adolescente, arquétipo da beleza andrógina, e fica intensamente atraído por ele; obra de extraordinário apuro plástico, “Morte em Veneza” [>> YouTube] começa e termina com as notas nostálgicas do “Adagietto”, da 5.ªSinfonia, de Gustav Mahler [>> YouTube] [versão de Bruno Walter, 1938 >> YouTube], muito tendo contribuído para a divulgação desta magistral peça musical junto do grande público;
9. Estreia do filme “Laranja Mecânica” (“A Clockwork Orange”), de Stanley Kubrick; baseado no romance homónimo de Anthony Burgess (1962), e protagonizado por Malcolm McDowell, não é uma obra apologética da violência, antes um magistral exercício de antevisão do que poderá acontecer nas sociedades em que os pais e educadores abdiquem do seu dever de transmitir aos seus educandos os valores da civilidade e do respeito pelo outro; esta notável obra cinematográfica tem ainda o mérito, por um lado, de mostrar que os actos de extrema violência (assassínios e violações), longe de edificarem, conduzem à sua marginalização/destruição de quem os pratica, e, por outro lado, de desmascarar o poder político e o sistema de saúde de países supostamente democráticos (a acção passa-se na insuspeita Inglaterra) na violação dos mais elementares direitos humanos com o pretexto do “tratamento” de perigosos delinquentes; refira-se, a título de curiosidade, que “Laranja Mecânica” [>> YouTube] foi o primeiro filme produzido em sistema Dolby; na banda sonora pontifica a canção “Singin’ in the Rain”, originalmente cantada e dançada por Gene Kelly no filme “Serenata à Chuva” (1952) [>> YouTube] e, em lugar de grande destaque, o maravilhoso e arrebatador scherzo molto vivace (segundo andamento) da 9.ª Sinfonia, de Beethoven [>> YouTube] [Hungarian Philharmonic Orchestra, dir. Janos Ferencsik >> YouTube];
10. Estreia do filme “Vilarinho das Furnas”, de António Campos; notável documentário sobre a aldeia comunitária de Vilarinho das Furnas, situada na margem direita do rio Homem (afluente do Cávado), no concelho de Terras de Bouro, antes de ser abandonada pelos cerca de 250 habitantes (57 famílias) para desaparecer sob as águas de uma barragem hidroeléctrica; é o Portugal ancestral que soçobra ante o progresso (ou uma certa ideia de progresso) [>> YouTube]
11. Estreia em cena da ópera-rock “Jesus Christ Superstar”, de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber; foi o sucesso alcançado com o duplo LP “Jesus Christ Superstar” (1970) que deu a Andrew Lloyd Webber a ideia transpor a obra para o palco; estreada a 12 de Outubro de 1971, no Mark Hellinger Theatre, de Nova Iorque, “Jesus Christ Superstar” tornou-se um dos musicais mais vistos da Broadway e –como não podia deixar de ser – veio a ter também uma versão cinematográfica realizada, em 1973, por Norman Jewison [>>YouTube]; a versão portuguesa do musical seria levada à cena por Filipe La Féria, pela primeira vez a 16 de Junho de 2007, no Teatro Rivoli (Porto), com o fadista Gonçalo Salgueiro no papel de Cristo [>> YouTube]; à parte alguns aspectos algo datados, “Jesus Christ Superstar” vale sobretudo pela ousadia de pôr em confronto as ideias inconciliáveis de dois homens – Jesus Cristo e Judas Iscariotes –, contribuindo assim para a necessária reflexão, de crentes e não crentes, acerca dos verdadeiros motivos (não necessariamente concordantes com os Evangelhos) que terão levado Pôncio Pilatos, homem ponderado e astuto, a mandar executar, como um vulgar criminoso, um homem pacífico e aparentemente inofensivo para o domínio romano na Judeia;
