Análises sobre a crise, olhares sobre a Europa, olhares sobre o crime que contra esta os seus dirigentes estão a cometer

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

 

1. Portugal – Por favor, quando sair desligue as luzes! – III

 

Edward Hugh

 

(continuação)

 

 

Algumas características que são unicamente portuguesas

 

O curioso sobre Portugal é a forma como a sua trajectória primeiramente em  direcção à União Europeia e, depois, como  membro da UEM mostra muito mais  semelhança com o caminho que mais tarde foi trilhado por alguns países do Leste Europeu do que o caminho que tomaram os seus parceiros do sul da Europa.

 

 

No que estaria  para ser um prenúncio de eventos a acontecer algures e durante uma década  ou mais tarde, o país perdeu sistematicamente população durante os anos de preparação para a entrada na zona euro, com  os trabalhadores a deixarem em massa o país em busca de salários mais altos noutros lugares. O fenómeno deixou uma cicatriz duradoura na economia e na sociedade. Pequena surpresa que o país que outrora foi o protótipo de uma “sociedade de emigração” tenha de novo e  tão rapidamente voltado a sê-lo  outra  vez, agora  sob o impacto da crise actual. 

 

 

Naturalmente Portugal, como todas as sociedades europeias, está a envelhecer muito rapidamente, um processo que não vai ser nada ajudado pelo elevado número  de jovens  que agora estão a sair.

 

 

E a principal razão para este processo de envelhecimento da sociedade assim seja  é, naturalmente, o facto de a fertilidade a longo prazo ser muito baixa. Eu já o afirmei anteriormente e volto a afirmá-lo de novo, não faz absolutamente nenhum sentido económico para uma sociedade com uma fertilidade a longo prazo bem abaixo da taxa de substituição que esta se venha  a tornar um exportador líquido de mão-de-obra. No longo prazo a economia de um tal país não pode ser sustentável, e fico espantado que o FMI não se tenha ainda apercebido disso.

 

 

Sob a tutela da Troika

 

Portugal foi o terceiro país do espaço da zona a sucumbir às pressões dos mercados financeiros, e a proteger-se em  porto seguro na forma de um programa de resgate da UE / FMI. Como resultado, o país já recebeu uma ajuda inicial de 78.000 milhões de euros em troca de que é obrigado a aplicar um programa rigoroso de correcção do défice. Mesmo que se possa e queira discutir alguns dos seus detalhes, o certo é que o país aplicou a maioria do que foi lhe foi exigido.

 

 

E como resultado, a Troika tem constantemente considerado  que Portugal só pode ser chamado de país de “relatórios brilhantes” – quando  comparados com  o que são certamente aqueles  que recebe da Grécia.

 

 

 

E conjuntamente com o défice até os rendimentos dos títulos estão a descer. Os rendimentos atingiram um pico em Fevereiro quando os mercados estavam preocupados com o segundo resgate grego e  com a sua componente de reestruturação da dívida, e levantavam eles próprios  a questão – será Portugal  o próximo?

 

 

 

 

(continua)

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