DIÁRIO DE BORDO, 2 de Agosto de 2012

 

Lê-se nos jornais que Mitt Romney, candidato republicano à presidência da república nos EUA, que anda a dar uma badalada volta por Diário de Bordo não sabe quantos países, a fazer a sua propaganda (será que também temos que votar para este peditório? Não é só lá nas Américas?), depois de asnear em Inglaterra sobre a organização dos Jogos Olímpicos e insultar os palestinianos na terra deles, chegou à Polónia e resolveu pôr-se a falar no valor da liberdade e da economia. Apontou a Polónia como exemplo  e disse que o crescimento económico se deve à liberdade económica, à responsabilidade fiscal  e à abertura ao comércio internacional. Embora tenha evitado atacar abertamente a Rússia, opinou que nela os promissores avanços em direcção a uma sociedade livre e aberta (o que será que Romney realmente entende por  isso?) também falharam. Sem dúvida que foi mais moderado do que quando, há já alguns meses, considerou a Rússia o “inimigo geopolítico número um”. Talvez esteja a aguardar a declaração de guerra para depois de Novembro, altura em que conta ser eleito.


A guerra na Síria, que os EUA estão a travar por interpostas entidades, é obviamente uma guerra estratégica. O tom belicoso que Hillary Clinton e outros representantes norte-americanos têm adoptado é significativo. E quer dizer sobretudo que a queda de Assad é apenas uma etapa. Caso Romney vença as eleições continuará esta estratégia,  procurando destabilizar o Irão, inimigo preferencial  de Israel (faz sentido falar em preferência nesta situação, na medida em que se trata de opções feitas sobretudo segundo olhando aos interesses dos EUA e de Israel). E a seguir, concentrar-se-á na Rússia. A China ficará para depois.


A chamada Primavera Árabe nunca interessou seriamente aos EUA. A intervenção na Líbia, primeiro, e a guerra na Síria são o seu dobre a finados. Seja qual for o candidato vencedor nas eleições de Novembro continuará a estratégia de conquista que há vários decénios, praticamente desde o fim da Guerra da Coreia, tem destroçado o Próximo e o Médio Oriente. Ali só sobrevivem regimes autoritários tradicionais (nem todos, como foi o caso de Khadafi) ou déspotas pré-fabricados, como Saddam Hussein, que teve o fim que se viu.


Entre Obama e Mitt Romney a diferença, a haver, será apenas de estilo. O segundo, que, para além de homem de negócios de sucesso e governador do estado de Massachusets, foi pastor da igreja mórmon, tem sem dúvida um certo gosto pelo espectáculo, é capaz de querer meter-se em feitos que lhe permitam mostrar que é diferente. 

2 Comments

  1. Razão tinha o José Goulão na sua análise de há uns meses ao dizer que o conflito naquela região se iria desviar para a Síria, não dando a menor importância aos vídeos dos barquinhos que apontavam para uma guerra no Golfo Pérsico, directamente contra o Irão. É irónico lembrar as iras que se levantaram contra mim quando chamei “estrategas de bancada” aos autores desses vídeos. Ai, “o Tempo, esse grande escultor”!

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