“A Vida dos Sons”: deseja-se menos cinzenta e mais multicolor (V) – 3 – por Álvaro José Ferreira

 

6. Estreia do filme “O Padrinho” (The Godfather), de Francis Ford Coppola; é o filme que afirma Francis Ford Coppola como grande realizador de cinema e continua, ainda hoje, a ser o que melhor retrata a Máfia em terras do Tio Sam; o argumento, baseado no romance homónimo de Mario Puzo, publicado em 1969, gira em torno da família Corleone, de origem siciliana, que, entre 1945 e 1955, domina o submundo nova-iorquino: Don Vito Corleone (Marlon Brando) é o patriarca, o “padrinho” que se rege por um código de honra e de conduta muito próprio, em que os interesses da família são colocados ao mais alto nível [>> YouTube]; com um elenco de luxo compreendendo, além do citado Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall e Diane Keaton, “O Padrinho” foi premiado com três Óscares, entre os quais o de Melhor Filme, e alcançou um êxito enorme à escala mundial;

 

 

7. Estreia do filme “Cabaret – Adeus Berlim”, de Bob Fosse; baseado no musical estreado em 1966 na Broadway, por sua vez adaptado da novela “Goodbye to Berlin” (1939, de Christopher Isherwood) e da peça de teatro “I am a Camera” (1951, de John Van Druten), “Cabaret” (em Portugal, “Cabaret – Adeus Berlim”) é o filme em que Liza Minnelli teve o melhor desempenho da sua carreira ao encarnar, de forma magistral, a dançarina e cantora Sally Bowles na Berlim do início dos anos 1930 (que lhe valeu o Óscar de Melhor Actriz) o filme arrebatou oito estatuetas douradas na cerimónia de entrega dos Óscares, tendo a curiosa particularidade de ser o filme mais oscarizado que não venceu na categoria de Melhor Filme (a estatueta foi para “O Padrinho”, de Francis Ford Coppola);

 

 

 

8. Estreia do filme “Último Tango em Paris” (“Ultimo tango a Parigi” / “Le Dernier Tango à Paris”), de Bernardo Bertolucci; com Marlon Brando e Maria Schneider nos principais papéis, Bertolucci colocou em cena a sexualidade com uma crueza e intimidade inéditas para a época, o que o transformou “Último Tango em Paris” num filme-escândalo, a ponto de ser proibida a sua exibição em vários países (em Portugal, só seria estreado a 30 de Abril de 1974); destaque para a magnífica fotografia de Vittorio Storaro, na densificação do conteúdo emocional e na beleza de composição dos planos, e para a banda sonora de Gato Barbieri;

 

 

 

9. Estreia do filme “Uma Abelha na Chuva”, de Fernando Lopes; baseado no romance homónimo de Carlos de Oliveira, é um dos títulos de referência do novo cinema português, de que o próprio Fernando Lopes foi um dos iniciadores com “Belarmino” (1964); focado numa família da região da Gândara, “Uma Abelha na Chuva” retrata de forma assaz impressiva a difícil convivência entre duas classes sociais num mundo em transformação – a fidalguia empobrecida e os comerciantes abastados; digno de realce é o desempenho de Laura Soveral encarnando uma decadente mas orgulhosa fidalga naquele que foi um dos seus primeiros papéis no cinema;

 

 

 

10. Estreia do filme “O Passado e o Presente”, de Manoel de Oliveira; tendo como ponto de partida uma peça de Vicente Sanches (publicada em 1964), é a primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira desde “Aniki Bobó” (1942) [>> YouTube] (de permeio apenas conseguira filmar curtas e médias metragens, como “As Pinturas do Meu Irmão Júlio” [>> YouTube] e “Acto da Primavera” [>> YouTube]) e inicia, nas palavras do realizador, a “tetralogia dos amores frustrados”, continuada com “Benilde ou a Virgem-Mãe”, “Amor de Perdição” e “Francisca”; foi também o primeiro filme produzido pelo Centro Português de Cinema, apoiado e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, onde, desde 1969 e durante 22 anos, trabalhou João Bénard da Costa, como responsável pelo Sector de Cinema, departamento inserido no Serviço de Belas-Artes; Bénard da Costa, cinéfilo e futuro director da Cinemateca Portuguesa (sucedendo a Luís de Pina), marca a sua primeira presença nos filmes de Oliveira, num pequeno papel (Honório); sinopse: os ridículos, a incoerência, o parasitismo da alta burguesia; tudo gira em torno do desprezo de Vanda, uma jovem mulher, pelos vários maridos em vida, e a mórbida veneração que lhes dedica, uma vez viúva; resultado desta perpetuação do luto é, entre outros, que Vanda não tem vida sexual (a ameaça fálica é assim evitada de cada vez);

 

11. Edição do álbum “Sobreviventes”, de Sérgio Godinho; é o primeiro álbum de Sérgio Godinho (no ano anterior saíra o EP “Romance de um Dia na Estrada”) que o afirma desde logo como um dos grandes escritores/intérpretes de canções em português; a gravação do disco fora feita em Abril de 1971 em Chateau d’Hérouville, arredores de Paris, no Stawberry Studio, o mesmo onde também foram gravados “Cantigas do Maio”, de José Afonso, e “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, de José Mário Branco; aliás, Sérgio Godinho e José Mário Branco, ambos exilados em França, colaboraram mutuamente na gravação dos respectivos primeiros álbuns: Sérgio Godinho participou como segunda viola e nos coros, além de assinar quatro letras, no de José Branco e este, por sua vez, fez coros e tocou diversos instrumentos (piano, xilofone, órgão e viola) em “Os Sobreviventes”. No alinhamento figuram os seguintes temas: “Que Força é Essa?”, ” A-A-E-I-O” , “Descansa a Cabeça (Estalajadeira)”, “Paula”, “Que Bom Que É”, “O Charlatão” [ao vivo no Coliseu dos Recreios, 28 Fev. 2004, “Farto de Voar”, “Senhor Marquês”, “Cantiga da Velha Mãe e dos seus Dois Filhos”, “A Linda Joana”, “Romance de um Dia na Estrada” [ e “Maré Alta”;

 

(Continua)

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